Bush ordenou derrubada de aviões civis, diz Cheney

Imediatamente após os atentados com Boeings seqüestrados contra o World Trade Center e o Pentágono, o presidente norte-americano, George W. Bush, ordenou a derrubada de aviões comerciais se eles não se desviassem de Washington, revelou neste domingo o vice-presidente Dick Cheney. "O presidente tomou a decisão (...) de que, se o avião não se desviasse, se os pilotos não dessem atenção às instruções para ir para longe da cidade, nossos pilotos, como último recurso, estavam autorizados a retirá-los", disse Cheney à rede de TV NBC. "As pessoas dizem que é uma horrenda decisão a tomar. Bem, é mesmo. Você tem um avião repleto de cidadãos norte-americanos, civis capturados por terroristas, e você vai derrubá-lo e matar todos aqueles americanos a bordo." Cheney disse que essa foi a decisão mais difícil tomada naquela fatídica terça-feira e assinalou que Bush a tomou por recomendação sua. Mas afirmou que tal decisão não precisou ser cumprida. "Como (os aviões) se afastaram, não tivemos de executar aquela autorização", assinalou. "Mas houve uns poucos momentos em que pensamos que poderíamos (ter de executá-la), quando aviões estavam vindo e não sabíamos se eles eram ou não aparelhos com problemas, até que eles se desviassem e fossem para outro lugar."JustificávelCheney ressaltou que "com certeza" teria sido justificável o abate de dois Boeings seqüestrados lançados contra as torres do World Trade Center, em Nova York, ataque que deixou um total estimado de mais de 5.000 mortos. "Você tem de perguntar a si mesmo. Se tivéssemos uma patrulha aérea sobre Nova York e tivéssemos a oportunidade de derrubar os dois aviões que atingiram o World trade Center, teria sido justificado fazer isso? Eu creio, com certeza, que teria sido." Um terceiro Boeing seqüestrado foi lançado sobre o Pentágono, matando centenas de pessoas, e um quarto caiu perto de Pittsburgh, na Pensilvânia. O vice-presidente disse que esse quarto Boeing seguia aparentemente para Washington, possivelmente para o Capitólio (sede do Congresso), e caiu quando os passageiros lutavam com os seqüestradores.Já o avião que atingiu o Pentágono, acrescentou Cheney, estava em rota para a Casa Branca, mas então se desviou, fez um círculo e chocou-se contra a sede do Departamento de Defesa. Cheney disse que talvez o avião, que se aproximava vindo do oeste, tenha mudado de rumo após ter dificuldades em localizar a Casa Branca do ar. A Casa Branca está situada entre o grande edifício do Eisenhower Executive Office, a oeste, e o Departamento do Tesouro, a leste.Distância seguraA entrevista foi a primeira aparição do vice-presidente desde quinta-feira, quando que ele foi levado da Casa Branca para a residência presidencial de Camp David, em Maryland, para ficar a uma distância segura de Bush na hipótese de um novo atentado. Em Camp David, ele e Bush discutiram, no fim de semana, a resposta aos ataques. Cheney disse não ter dúvidas de que Osama bin Laden e sua organização estão por trás dos atentados e advertiu que os países que o protegerem terão de enfrentar a "fúria total" dos EUA. Lembrando os ataques de terça-feira, Cheney disse que agentes do Serviço Secreto o pegaram e o levaram às pressas para um abrigo subterrâneo na Casa Branca diante dos temores de um atentado contra o edifício. "Eles não pediram educadamente, eles vieram e disseram: ´Senhor, temos de levá-lo imediatamente´ e me agarraram. Eles eram maiores que eu, me levantaram e seguiram muito rapidamente pelo corredor." Cheney disse que, então, pediu a Bush que não voltasse da Flórida (onde visitava uma escola) para Washington imediatamente após os ataques. "Eu disse: ´Adie seu retorno. Não sabemos o que está acontecendo, mas parece que fomos atacados." O vice afirmou ainda estar convencido de que uma ameaça telefônica contra o avião presidencial Air Force Onde era crível mas admitiu que pode ter sido falsa. "O telefonema pode ter sido feito por um louco, mas, no meio do que estava acontecendo, não havia como saber." Segundo a Casa Branca, quem fez o telefonema usam palavras-código que tornavam a ameaça crível.

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