Bush pede a americanos que voltem a viajar de avião

Com as companhias aéreas americanas operando com mais de 60% de seus aviões vazios e perdendo dezenas de milhões de dólares por dia, o presidente George W. Bush deixou Washington apenas pela segunda vez desde os ataques terroristas de 11 de setembro passado e foi até o aeroporto O´Hare, em Chicago, que já foi o mais movimento dos Estados Unidos e do mundo, para pedir aos americanos que "voltem a viajar de avião"."Todo mundo aqui apareceu para trabalhar e fez, com isso, uma clara declaração de que o terrorismo não vencerá", disse Bush, fazendo um apelo patriótico diante de milhares de empregados do aeroporto e tendo como pano de fundo dois Boeings da United e da American Airlines.As duas empresas perderam quatro Boeings 757 e 767 nos ataques terroristas, que transformaram aviões comerciais em bombas, deixaram um saldo de aproximadamente 7 mil mortos e afugentaram os passageiros dos aviões, pondo em risco a viabilidade um setor vital para a economia americana.O secretário de Transportes, Norman Mineta, que está incumbido de executar um plano para restaurar a confiança dos americanos na aviação comercial, viajou a Chicago na classe econômica de um vôo regular da United. Nesta sexta-feira, nada menos do que nove ministros tomarão vôos comerciais para diferentes regiões do país para demonstrar que é seguro viajar de avião.Bush anunciou nesta quinta-feira "um aumento dramático" do número de agentes federais armados em vôos comerciais e a mobilização de soldados da guarda nacional dos 50 Estados dos EUA para reforçar os serviços de inspeção de passageiros e de carga nos aeroportos do país.Embora aceitem que o governo federal assuma um papel mais ativo na vigiância de aeroportos, Bush e seus assessores resistiram até agora a propostas de nacionalização desses serviços, com a criação de polícias federais especializadas no controle de passageiros e cargas nos terminais, como as que existem na Europa.O presidente americano informou que o governo investirá US$ 500 milhões num programa para fortificar as portas das cabines de comando das aeronaves, de modo a dificultar o acesso de futuros seqüestradores.Cerca de US$ 3 bilhões da verba de US$ 40 bilhões que o Congresso aprovou dias depois dos ataques destinam-se a aumentar a segurança das aeronaves e aeroportos. Outras propostas em estudo pelo governo federal para aumentar a segurança dos vôos incluem o desenvolvimento de "transponderes" não desligáveis, que dão a posição das aernovaes a qualquer momento.A Casa Branca rejeitou, no entanto, proposta de um dos sindicatos de pilotos para que estes sejam treinados e autorizados a levar armas na cabine de comando.Os esforços da administração para convencer os americanos a voltarem a viajar de avião podem ter sido em parte comprometidos pela confirmação, nesta quinta-feira, da decisão de Bush de delegar a dois generais encarregados da defesa do espaço aéreo americano - no território continental e no Alasca e Hawaí - o poder de abater aviões comerciais que possam ser usados por seqüestradores para atacar cidades, sem sua autorização final.Não há garantia de que as medidas anunciadas nesta quinta-feira e os US$ 15 bilhões que o governo já concedeu às companhias aéreas, sob a forma de doação e de linhas de crédito, serão suficientes para restabelecer a normalidade das operações do setor, que já enfrentava problemas antes dos ataques terroristas, em consequência da desaceleração econômica.Desde os atentados de 11 de setembro, as empresas aéreas despediram mais de 100 mil funcionários. Algumas preparam-se para anunciar novos planos de redução de serviços, caso os americanos não atendam ao apelo de Bush para reaparecerem nos antes movimentados aeroportos do país.

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