Bush pede aprovação imediata da reforma migratória

Presidente tentou convencer ao menos 16 senadores republicanos, para evitar que democratas alcancem maioria necessária no Senado para superar bloqueio de lei

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

O presidente americano, George W. Bush, tentou mais uma vez nesta terça-feira, 12, convencer pelo menos 16 senadores republicanos de que a reforma migratória precisa ser aprovada nos Estados Unidos e "de que agora é o momento" para isso.Os 16 republicanos devem ser somados aos 51 votos com os quais os democratas contam para alcançar a maioria de dois terços no Senado, de 100 cadeiras, necessária para superar qualquer tentativa de bloqueio do projeto de lei.Bush fez as declarações ao sair de um almoço com os senadores republicanos, numa última tentativa de convencê-los da necessidade de uma "reforma migratória integral" que inclua o reforço da segurança na fronteira.O tema é tão importante que, desde que chegou à Casa Branca, esta é a segunda vez que Bush vai até Capitol Hill para pressionar sobre um assunto.ParalizaçãoO pedido feito nesta terça pelo presidente tenta impulsionar a reforma migratória que está estagnada no Senado desde a semana passada.A paralisação do projeto de lei na câmara alta gerou uma situação contraditória: o próprio presidente teve que encorajar seus correligionários a apoiarem uma iniciativa sobre a situação dos imigrantes, que representa uma esperança para cerca de 12 milhões de ilegais vivem nos EUA, segundo estimativas.Durante uma viagem de oito dias por países europeus, que terminou na segunda-feira, o chefe da Casa Branca falou com os senadores por telefone, pedindo que apoiassem a medida.Na quinta-feira, a câmara alta votou contra uma moção para encerrar o debate sobre o projeto e votá-lo. Na prática, a decisão permite que a apresentação de emendas se prolongue e a iniciativa não seja votada.A rejeição, comandada por republicanos, destacou as profundas divisões que a reforma migratória provoca no Poder Legislativo.No encontro desta terça, "alguns senadores se mostraram a favor e outros contra. Mas eu os entendo. Sei que é um tema basicamente emocional", manifestou Bush.O presidente também pareceu convencido de que a atual situação migratória nos EUA é "inaceitável" e reconheceu que é preciso aprovar uma medida, mas isso demanda "muito esforço".Ele garantiu que a Casa Branca continuará trabalhando para aprovar o projeto de lei e expressou sua confiança em que o líder democrata Harry Reid irá colaborar para a votação da iniciativa.BipartidarismoO projeto que está sendo debatido representa um frágil compromisso entre democratas e alguns republicanos e abre o caminho para legalizar a situação dos ilegais.Além disso, estabelece um programa de trabalhadores temporários para canalizar a imigração futura e conciliá-la com as necessidades das empresas americanas.Os setores mais conservadores consideram que a legalização equivale a uma anistia, o que Bush rejeita. O presidente insiste que os imigrantes precisariam pagar pesadas multas para serem legalizados.Por outro lado, os mais liberais defendem que a iniciativa é muito dispendiosa e prejudica os laços familiares dos imigrantes.Durante a primeira rodada de debates da medida, os conservadores conquistaram muitas vitórias, como a aprovação de uma emenda que elimina o programa de trabalhadores temporários só depois de cinco anos.Reid afirmou que voltará a apresentar o projeto de lei, mas só quando tiver certeza de que conquistará pelo menos 16 votos republicanos a favor.A iniciativa corre o risco de se desgastar, considerando que o Congresso iniciará o recesso de verão em agosto e em setembro deve fazer uma avaliação sobre a Guerra do Iraque.Depois disso, como Bush já advertiu, todos os esforços estarão concentrados na corrida eleitoral de 2008.

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