Bush pede saída de Mugabe; União Africana rejeita ação dura

Presidente americano se une aos discursos pela mudança de governo no Zimbábue, atingigo por surto de cólera

MACDONALD DZIRUTWE, REUTERS

09 de dezembro de 2008 | 14h15

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se juntou nesta terça-feira, 9, ao coro pela renúncia de Robert Mugabe, descrevendo o zimbabuano como um tirano e pedindo para que a comunidade internacional pressione o líder africano. A posição foi divulgada no mesmo dia em que a União Africana rejeitou medidas mais duras contra o presidente do Zimbábue e afirmou que só o diálogo pode resolver a crise.   Veja também: Ocidente usa cólera para tirá-lo, acusa Mugabe Zimbábue, o suicídio de um país em cólera   A contagem de mortos por uma epidemia de cólera se aproxima de 600 pessoas, e o governo de Mugabe acusa as potências ocidentais de explorarem o episódio para forçar sua saída. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que o cólera pode afetar até 60 mil pessoas no pior dos casos.   "Chegou a hora de Robert Mugabe sair", disse Bush em comunicado em Washington. "Por todo o continente, as vozes da África estão bravamente dizendo agora que é hora dele renunciar". Mas a União Africana, mais cedo, deixou claro que não apóia medidas muito mais duras. "Só o diálogo entre os partidos do Zimbábue, apoiado pela União Africana e por outros agentes regionais, pode restaurar a paz e a estabilidade no país", disse Salva Rweyemamu, porta-voz do presidente da União Africana e presidente da Tanzânia Jakaya Kikwete.   Rweyemamu disse que o envio de forças de paz ou a queda de Mugabe pela força, como proposto por figuras proeminentes como o premiê queniano Raila Odinga e o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz, não estão entre as opções. "Temos uma séria crise humanitária no Zimbábue. Temos cólera. Eles pensam que podemos erradicar o cólera com armas?"   A África do Sul se oporá a qualquer envio de tropas ao Zimbábue, disse um membro do governo. Mugabe e o líder da oposição Morgan Tsivangirai, com a ajuda do ex-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, chegaram em setembro a um acordo para a divisão do poder. Mas há um impasse sobre a forma de implementar o acordo.   A epidemia de cólera, junto com a escassez de comida, piorou o colapso econômico do país africano, que já foi relativamente próspero. Alimentos básicos estão se esgotando e os preços dos produtos têm duplicado a cada dia.

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