Bush pede sanções e diz que não atacará a Coréia do Norte

O presidente americano, George W. Bush, afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos buscavam "com os aliados da região e no Conselho de Segurança da ONU uma fórmula para assegurar que o regime norte-coreano sofra conseqüências graves" pelo teste nuclear que realizou na segunda-feira. Bush disse que seu governo "não tem intenção de atacar a Coréia do Norte", mas reiterou que os EUA "não descartam nenhuma das opções que têm sobre a mesa". O presidente americano também rejeitou qualquer possibilidade de negociar diretamente com o governo norte-coreano, como exige o regime comunista.Pouco antes, na primeira declaração pública de uma autoridade norte-coreana desde o teste nuclear de segunda-feira, o segundo homem mais poderoso do regime do país, Kim Yog-nam, advertiu nesta quarta-feira que o reforço das sanções contra Pyongyang será considerado uma "uma ação hostil", que poderia "forçar a Coréia do Norte a uma resposta militar"."Se os EUA continuarem nos acusando e nos pressionando, tomaremos isto como uma declaração de guerra e colocaremos em ação uma série de medidas concretas", dizia, em outra manifestação, uma nota do Ministério de Relações Exteriores da Coréia do Norte, divulgada pela agência de notícias estatal.Na mesma nota, o regime norte-coreano ameaçou realizar um novo teste nuclear a qualquer momento, caso Washington insista na pressão contra Pyongyang e as rigorosas sanções defendidas por EUA e Japão, que ampliariam o isolamento do país, sejam aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU.Esboço de resoluçãoNa sede da ONU, em Nova York, diplomatas dos EUA tentavam redesenhar um esboço de sanções que pudesse ser aceitável principalmente para a diplomacia chinesa - que, na véspera, pela primeira vez, concordou com a aplicação de punições à Coréia do Norte, mas não por meio de uma resolução que inclua a possibilidade de uma ação militar. A intenção de Washington era a de aprontar e submeter o projeto de resolução à votação do Conselho de Segurança ainda nesta quarta-feira, mas, diante do pouco avanço nas discussões, a apresentação foi adiada para quinta.Principal interlocutora de Pyongyang, a China se vê diante de um dilema: precisa reagir ao regime do ditador norte-coreano, Kim Jong-il, que ignorou os pedidos de Pequim para que evitasse a escalada nuclear; mas não pode aceitar castigos que exponham o regime ao colapso, que resultaria no êxodo de milhões de norte-coreanos famintos para seu território."Há uma série de desacordos", admitiu o embaixador dos EUA na ONU, John Bolton. Washington pretende aprovar uma moção com base no Capítulo 7 da Carta da ONU, que abriria a possibilidade de uma ação militar contra a Coréia do Norte, caso violasse as sanções. Bolton acrescentou que a resolução se destinará a afetar "a elite" e não o povo do país. EUA e Japão também pretendem que a resolução inclua a inspeção de todos os navios e aviões na chegada e na partida da Coréia do Norte. A China e a Rússia - dois países com assento permanente no Conselho de Segurança - se opõem a uma resolução que abra o caminho para o uso da força.Texto ampliado às 20h37

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