Bush pede vistoria "eficaz" de armas iraquianas

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reuniu-se nesta quarta-feira com o chefe dos inspetores de armas químicas e biológicas da Organização das Nações Unidas (ONU), Hans Blix, e o encarregado da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed el-Baradei. Durante o encontro, que durou aproximadamente 10 minutos, Bush destacou a necessidade de uma vistoria "eficaz" dos arsenais iraquianos."A mensagem da Casa Branca ressalta a importância de que o trabalho dos inspetores seja eficiente e corresponda aos anseios da comunidade internacional, do modo como são expressos pelo Conselho de Segurança (CS) e resulte no desarmamento do país", afirmou o porta-voz de Bush, Ari Fleischer.Em Bagdá, autoridades iraquianas felicitaram os membros do CS por sua oposição ao projeto de resolução dos Estados Unidos. "A comunidade internacional tem a responsabilidade histórica de opor-se à agressividade norte-americana", opina o jornal estatal As-Saura. "O governo de Bush está hoje isolado e só seu criado (o primeiro-ministro britânico) Tony Blair e a entidade sionista (Israel) sustentam sua política agressiva e suas ameaças raivosas."O ministro de Comércio do Iraque, Mohammed Mehdi Saleh, comentou hoje que os EUA deveriam retirar o projeto de resolução apresentado ao Conselho de Segurança. Segundo ele, os inspetores conseguirão fazer seu trabalho adequadamente sem uma nova resolução.Enquanto isso, França e Estados Unidos estão a um passo de um acordo para a aprovação da resolução sobre o regime de inspeção de armas de destruição em massa no Iraque, informaram hoje fontes diplomáticas da ONU.O compromisso entre os dois países, segundo destaca o jornal The New York Times, consistiria na obrigação de Washington de não atacar Bagdá antes da aprovação de uma resolução específica sobre a ação militar pelo Conselho de Segurança da ONU. Isso permitiria o envio da equipe de inspetores. Em contrapartida, os EUA se reservariam o direito de liderar uma coalizão militar se o regime de Saddam Hussein não cumprir com as exigências estabelecidas pelo conselho. O novo texto da resolução também atribuiria ao organismo da ONU a tarefa de julgar se Bagdá coopera ou não com as inspeções."Estamos no caminho de algo muito positivo", afirmou o presidente do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador da República de Camarões, Martin Belinga Eboutou. "Os representantes dos países membros têm avançado tanto no assunto que podemos pensar em alcançar um documento de consenso." França e Rússia se opuseram frontalmente ao projeto de resolução apresentado pelos EUA na semana passada, que prevê "graves conseqüências" para o Iraque, caso Saddam obstrua o trabalho dos inspetores.O texto norte-americano também especificava que um relatório dos inspetores determinaria o grau de cooperação de Bagdá. As observações foram interpretadas por Paris e Moscou como uma autorização para o uso automático da força por parte dos EUA, caso a equipe de inspeção denunciasse qualquer bloqueio ao seu trabalho.

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