Bush perde maioria na Câmara; Senado está ameaçado

O Partido Democrata ganhou o controle da Câmara dos Representantes nas eleições parlamentares dos Estados Unidos na terça-feira, conforme projeções da redes de TV ABC e CNN. Os democratas precisavam ganhar 15 novos assentos para tirar o controle dos republicanos - que dominaram a Câmara nos últimos 12 anos. Pelos resultados divulgados o início da manhã desta quarta-feira, os democratas tiraram 16 assentos dos republicanos na Câmara - número suficiente para garantir o controle da Casa, desde que mantenham os assentos que já tinham. O porta-voz da presidência dos Estados Unidos, Tony Snow, afirmou que a Casa Branca reconhece a derrota na Câmara. "Nós acreditamos que os democratas terão o controle da Câmara e esperamos trabalhar com líderes democratas nas questões que permanecem em primeiro lugar na agenda, incluindo vencer a guerra no Iraque e a guerra maior contra o terror, além de manter a economia em uma trajetória de crescimento", afirmou Snow. No Senado, onde os democratas precisavam de seis novos assentos para assumir o controle, a situação também é favorável. Os primeiros resultados da apuração mostravam que os democratas ganharam pelo menos três assentos muito disputados: Rhode Island, Pensilvânia e Ohio. Antecipando que os republicanos devem realmente perder o controle do Congresso norte-americano pela primeira vez desde a "revolução republicana" de 1994, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tinha planos de ligar para a líder dos democratas na casa, a deputada Nancy Pelosi, cotada a ser a primeira mulher a liderar o congresso americano, para parabenizar os democratas pelo resultado nas urnas. "O presidente não vai bancar o tipo melancólico", afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, Tony Snow. Mas, o porta-voz de Bush admitiu: "As coisas não aconteceram do jeito que ele gostaria". Bush, que não é acostumado a derrotas políticas, planejou telefonar para Pelosi durante a manhã desta quarta-feira. O presidente acompanhou a apuração de votos na Casa Branca. Controle em risco Durante a campanha, numa última cartada para tentar reverter a vantagem democrata, Bush afirmou que seu partido tem um plano para conquistar a vitória no Iraque, enquanto os democratas não têm plano nenhum. Nos últimos comícios realizados pelo presidente, em Estados do sul do país, Bush disse que os democratas vão aumentar impostos e também amolecer contra o terrorismo. O Partido Republicano controlou o Senado e a Câmara dos Representantes nos últimos anos, mas o descontentamento dos eleitores com os rumos da Guerra do Iraque e com recentes escândalos envolvendo deputados e senadores republicanos em Washington provocaram a mudança. Enquanto os democratas focaram sua campanha no descontentamento com a guerra, os republicanos reforçaram sua posição em relação à segurança nacional. O comparecimento às urnas foi alto, apesar de o voto não ser obrigatório nos Estados Unidos. O presidente Bush votou de manhã em numa estação do corpo de bombeiros na cidade de Crawford, perto de sua fazenda no Estado do Texas, e aproveitou para pedir que os americanos comparecessem às urnas.

Agencia Estado,

08 Novembro 2006 | 07h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.