Bush pode estabelecer prazo para volta de inspetores ao Iraque

O presidente George W. Bush estápronto para fazer um novo pedido ao Iraque para permitir a voltados inspetores de armas, enquanto seus estrategistas consideramestabelecer um prazo final depois do qual haveria sériasconsequências caso o apelo fosse rejeitado, mesmo se antigosaliados não derem apoio. A advertência implícita de uma ação militar dos EUA paraderrubar o presidente iraquiano, Saddam Hussein, estaria numaresolução do Conselho de Segurança da ONU que, para ser aprovada precisa escapar de um veto da China, Rússia ou França. O presidente apresentará seus argumentos contra o Iraque naquinta-feira perante as Nações Unidas. Uma alta autoridade dosEUA adiantou que ele "vai deixar claro que o atual regime doIraque é um regime fora da lei, que tem desafiado resoluções daONU por 11 anos". Tentando empurrar as Nações Unidas para a ação, Bush pretendedizer às 190 nações que o "regime fora da lei" de Saddam estádesafiando a organização mundial, acrescentou. Bush alega não precisar de nova autoridade legal para usar aforça para derrubar Saddam. A Casa Branca cita resoluções desdea Guerra do Golfo, de 1991, que reverteram a anexação do Kuwaitpelo Iraque. Mas com o chanceler alemão Gerhard Schroeder rechaçando comouma "aventura" uma ação contra o Iraque, e apenas aGrã-Bretanha e Israel, recentemente a Espanha, solidamente no campo americano, uma nova abordagem da questão por Bush pode dar à sua política um novo impulso, apesar de o presidente estar preparado para agir unilateralmente, se preciso. O presidente francês, Jacques Chirac, tem se declarado"totalmente contra o unilateralismo" e seu governo prepararesoluções para o Conselho de Segurança que, primeiro, daria aoIraque um prazo de três semanas para receber os inspetores eentão o conselho consideraria o que fazer caso Saddam resistanovamente. Bush pretende enviar missões diplomáticas a Paris, Moscou ePequim para defender a deposição de Saddam. Internamente, funcionários da administração Bush tentamamealhar apoio no Congresso. Dois destacados senadores, JosephBiden e Dick Lugar, demonstraram a Bush esta semana suapreocupação de que "a combinação de Saddam Hussein com armas dedestruição em massa representa uma ameaça significativa". "Em outras palavras", explicaram, "ou essas armas sãoretiradas do Iraque ou Saddam Hussein tem de ser retirado dopoder". Mas Rice e George J. Tenet, diretor da CIA, não conseguiramconvencer o líder da maioria da Câmara dos Representantes, DickArmey. "Deixei bem claro (durante uma reunião com os doisfuncionários)", relatou. "Preciso ver um plano antes de darmeu voto. Preciso ver que é necessário, e que existe um planoque eu pessoalmente ache seja leal à coragem que pedimos a essesjovens (soldados)". E a senadora Hillary Clinton é cética em relação ao uso daforça. "Obviamente, todos apoiamos uma mudança de regime",ponderou. "A questão é: a que custo. E não estou falando sobrecusto financeiro - estou falando sobre consequências sempropósito, vidas, pessoas sendo jogadas em turbulências emoutras partes do mundo". Os EUA não podem agir sozinhos para derrubar Saddam, sustentammuitos congressistas.

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