Bush pressiona Sharon a liberar viagem de Arafat

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está pressionando o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para que permita a saída do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, da Cisjordânia, para tomar parte na cúpula da Liga Árabe, que começa na quarta-feiraem Beirute.Há forte expectativa sobre esse encontro porque o príncipeherdeiro da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdellaziz, vaiapresentar aos demais líderes uma proposta de paz com Israel.A iniciativa - a primeira proposta feita pelo país até hoje -foi bem recebida pela comunidade internacional por causainfluência saudita no mundo árabe.As tropas israelenses mantêm Arafat confinado em Ramallah, na Cisjordânia, e Sharon diz que só autorizará sua saída do território - cujas fronteiras são controladas por Israel - depois que ele puser fim aos atentados. A assessoria de Sharon informou que o gabinete de governo debaterá a questão amanhã.Na semana passada, ele disse que poderia permitir que Arafaf fosse a Beirute, mas deixou claro que seu regresso não estaria assegurado e dependeria dos pronunciamentos que fizesse na cúpula. Chanceleres dos países árabes reuniram-se hoje em Beirute para preparar o encontro."O presidente acredita que o sr. Sharon e o governoisraelense deveriam considerar seriamente dar permissão aArafat", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer.Segundo The New York Times, o vice-presidente Dick Cheney disse a Sharon que, se proibir a saída de Arafat, arrisca-se a ser acusado de sabotar uma proposta árabe de paz no Oriente Médio.O governo Bush tem sido pressionado pelos Estados árabes e em particular pela Arábia Saudita para ajudar Arafat a ir aBeirute. O assunto central da reunião, o plano de paz saudita,estabelece a normalização dos laços árabes com Israel em troca da retirada israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, ocupados na Guerra dos Seis Dias, travada em 1967.Mas há fortes divergências sobre questões importantes, como o direito de retorno dos palestinos. A Síria, o Líbano e o Iraque estão entre os mais ferrenhos opositores a concessões nesse tópico. O Líbano, por exemplo, abriga cerca de 360.000 refugiadospalestinos e não quer conceder-lhes cidadania - o que os impede de trabalhar legalmente ou ter acesso à educação estatal.O líder palestino ainda não confirmou sua ida a Beirute."Arafat tem todo o direito de ir à cúpúla, mas não participarádela sob as condições israelenses", assegurou seu assessor deimprensa, Nabil Abu Rudaina.O Ministro de Planejamento da AP, Nabil Shaath, diz que apossibilidade de que ele vá é remota. Fontes na AP afirmam que Arafat só sairá de Ramallah se o governo dos EUA garantir que poderá voltar.Altos funcionários palestinos e israelenses continuamnegociando um cessar-fogo, mas o impasse permanece. Hoje, o clima era de pessimismo. A reunião marcada para a tarde foi cancelada, a pedido da AP.O enviado especial norte-americano ao Oriente Médio, Anthony Zinni, e Israel insistem em que Arafat impeça os militantes radicais de realizar ataques a israelenses. E Israel só aceita remover suas tropas dos territórios e levantar os cercos a cidades palestinas depois que os atentados cessarem. A AP exige a retirada militar israelense e o fim dos bloqueios.Três palestinos morreram nesta segunda-feira nos territórios. Na Cidade de Gaza, um rapaz morreu na explosão de uma bomba que estava preparando. Outro foi morto em confronto com tropas israelenses em Rafah, na Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, o corpo de um palestino foi encontrado numa estrada.

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