Bush propõe "conservadorismo compassivo"

O presidente George W. Bush propôs nesta terça-feira que o Banco Mundial (Bird) e outras instituições financeiras aumentem suas doações em dinheiro em vez de conceder empréstimos. Em um discurso na sede do Bird, Bush também pediu às intituições internacionais de crédito que aumentem sua doações e empréstimos destinados a melhorar a educação na África e em outros países pobres ou em desenvolvimento. Muitos destes países suportam uma pesada carga de dívidas. "Os EUA são e continuarão sendo líderes mundiais em aliviar a dívida", declarou o mandatário. Bush definiu suas propostas como "conservadorismo compassivo em nível internacional". A sugestão de Bush no sentido de que o Bird substitua por donativos muitos dos empréstimos altamente subsidiados constitui um esforço para evitar que as nações mais pobres do mundo, atualmente afligidas pelo peso de antigas dívidas, contraiam novos encargos com a obtenção de novos créditos. Mas os críticos consideram que, a menos que o governo americano ofereça mais dinheiro ao Banco Mundial, este organismo financeiro acabará tendo menos dinheiro para ajudar os países pobres, uma vez que reutiliza os pagamentos das antigas dívidas para fornecer novos créditos. Para os funcionários do Bird, ainda que os EUA consigam persuadir os outros membros do organismo a converter a metade de seus empréstimos em ajuda, a nação americana terá que duplicar suas contribuições de US$ 803 milhões anuais à instituição apenas para manter o fundo de ajuda nos níveis atuais. A idéia de converter os empréstimos em donativos é uma das recomendações efetuadas por uma comissão liderada por Alan Meltzer, professor da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, e apoiada por líderes americanos conservadores no Congresso. Muitas sugestões contidas no discurso de Bush foram introduzidas no Banco Mundial pelo secretário do Tesouro, Paul O´Neill, que deu prioridade às reformas tanto no banco como no Fundo Monetário Internacional (FMI). O´Neill tem insistido em que o FMI e o Bird precisam estar muito mais voltados para seus objetivos principais e cortar programas complementares. O governo busca melhorar a capacidade do FMI para detectar e evitar crises financeiras. Além disso, pretende que o Banco Mundial se concentre mais nos esforços para melhorar a produtividade do trabalho nas nações menos desenvolvidas como uma forma de lutar contra a pobreza.

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