Bush quer eleição ''''livre e justa''''

Presidente dos EUA diz que renúncia de Fidel deve abrir caminho para transição democrática; candidatos à Casa Branca manifestam-se

Washington, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2008 | 00h00

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou ontem que a renúncia do líder cubano, Fidel Castro, deve abrir caminho para uma transição democrática e disse que o país agora tem de promover eleições para escolher um novo presidente. "Estou falando de eleições livres e justas, não dessas eleições manipuladas que os irmãos Castro tentam impor como uma democracia verdadeira", afirmou Bush em Ruanda, durante visita à África. O presidente americano também saudou os cubanos e prometeu apoiá-los. "Os Estados Unidos ajudarão o povo cubano a sentir a bênção da liberdade", disse.Bush defendeu que o primeiro passo em direção à democracia na ilha seja a libertação dos prisioneiros políticos cubanos. "São eles os que sofrem sob o regime de Fidel", afirmou. "O direito de viver em uma sociedade livre lhes foi negado. Então, vejo esse momento como um período de transição, que deve levar ao início da democratização de Cuba."A Casa Branca afirmou que a renúncia de Fidel não provocará alterações na política americana em relação a Cuba. "Não consigo imaginar isso (mudanças) acontecendo num futuro próximo", disse o vice-secretário de Estado, John Negroponte.Os candidatos democratas à presidência dos EUA, Hillary Clinton e Barack Obama, indicaram ontem que podem levantar o embargo a Cuba se o sucessor de Fidel adotar medidas democráticas. Obama disse que estaria disposto até a manter conversações diretas com líderes cubanos. Como candidato ao Senado em 2004, ele chegou a defender o fim do embargo mesmo sem uma mudança no governo cubano. Ontem, porém, ele foi mais cauteloso. "Se a liderança de Cuba abrir o país em direção a mudanças democráticas, os EUA devem estar preparados para normalizar as relações e relaxar o embargo de cinco décadas", disse o democrata.Em 2003 e 2005, Hillary votou, como senadora por Nova York, a favor do relaxamento das restrições de viagens a Cuba, mas foi contra abrandar outros aspectos do embargo. "Eu diria ao novo governante que o povo americano está pronto para encontrá-lo se você seguir pelo caminho democrático", disse a candidata, por meio de uma nota divulgada ontem.Do lado republicano, o candidato John McCain afirmou que os EUA devem manter as sanções contra o regime cubano até que ocorram eleições livres e sejam libertados todos os prisioneiros políticos. "Temo que algo menos que isso, que qualquer assistência que seja feita antes disso, possa servir para impulsionar um novo regime", disse McCain. Mike Huckabee disse acreditar que não haverá mudanças significativas na liderança cubana enquanto Fidel Castro estiver vivo. INTERAÇÃO COM A EUROPAO governo britânico também saudou a renúncia de Fidel e afirmou que se abre agora uma "oportunidade para progredir em direção a uma transição pacífica e a uma democracia pluralista". O líder dos trabalhistas, Ian Gibson, disse que a ilha viverá agora uma nova era nas relações internacionais. "Cuba entende que agora é uma economia global. Acho que haverá menos temor dos EUA e mais interação com a Europa." O secretário francês para assuntos europeus, Jean-Pierre Jouyet, afirmou que Paris espera que a ação de Fidel abra "uma nova via" em Cuba. "O castrismo foi o símbolo do totalitarismo. Só podemos desejar que agora haja mais democracia no país", disse Jouyet.A União Européia (UE) disse que espera ajudar Cuba em suas reformas. Com visita marcada para Havana no mês que vem, o comissário para Desenvolvimento da UE, Louis Michel, disse que o bloco "está disposto a se envolver num diálogo construtivo com Cuba".AP E NYT

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