Bush reafirma estratégia para guerra no Iraque

Como parte de uma campanha midiática para defender a Guerra do Iraque, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta segunda-feira que sua estratégia para o conflito está dando certo, embora as "horrendas imagens" da televisão digam o contrário. Durante um discurso no "City Clube" de Cleveland (Ohio), o governante americano reconheceu que a "situação no terreno permanece tensa", mas afirmou que se mantém otimista em relação a uma futura vitória no Iraque. Embora não tenha apresentado novos argumentos, Bush utilizou os ataques aos grupos terroristas na cidade de Tal Afar, no norte do Iraque, como prova de que houve progressos no país. "Diante dos contínuos relatórios sobre assassinatos e represálias, entendo por que alguns americanos perderam a confiança. Alguns se perguntam como posso permanecer otimista", disse Bush, que ofereceu numerosos exemplos da "selvageria" dos terroristas em Tal Afar antes da chegada das tropas dos EUA à região, em 2005. Parte de seu otimismo, explicou, vem do fato de as Forças de Segurança iraquianas, com o apoio das tropas americanas, terem recuperado o controle de Tal Afar e iniciado a sua reconstrução. Segundo Bush, o que aconteceu na cidade, de cerca de 200 mil habitantes e próxima à fronteira com a Síria, demonstra o êxito dos três pilares - político, econômico e militar - de sua estratégia no Iraque. Na sua opinião, esse sucesso se estenderá ao resto do país. "O exemplo de Tal Afar me dá confiança em nossa estratégia, porque nessa cidade vemos um esboço do Iraque pelo qual nós e o povo iraquiano temos lutado", enfatizou Bush. Ao detalhar a violência dos grupos insurgentes e o triunfo militar em Tal Afar, o presidente garantiu que as imagens de caos nos telejornais não traduzem o progresso conseguido no Iraque. No seu discurso em Cleveland, o presidente americano repetiu que, do seu ponto de vista, a democracia é o melhor antídoto contra o terrorismo e que os EUA não abandonarão o Iraque porque se trata de um "teatro de guerra" na luta global contra os terroristas. O clube escolhido por Bush para seu discurso tem por política não aceitar perguntas do público que não sejam filtradas ou ensaiadas. Assim, a maioria das perguntas feitas após o discurso serviu para que o governante se estendesse sobre a missão de seu Governo de conter os terroristas onde quer que estejam. No momento em que a guerra completa três anos, a estratégia midiática de Bush tem como objetivo reconquistar o apoio popular, apesar de as pesquisas demonstrarem o cansaço e descontentamento dos americanos com o conflito. Entretanto, hoje, em Washington, o senador democrata Joseph Biden afirmou que a insurgência iraquiana, formada por pouco mais de 18 mil homens, continua sendo uma verdadeira ameaça e pode levar o Iraque ao limiar de uma guerra civil. "Em vez de discursar para o povo americano, o presidente deveria viajar às capitais do mundo, para exigir uma pressão internacional maior sobre todas as partes em conflito no Iraque, para conseguir um Governo de consenso", discursou Biden no Centro para o Progresso Americano. "Este presidente tem que assumir riscos políticos", aconselhou o líder democrata. Protestos Enquanto o presidente falava, cerca de 100 pessoas contrárias à guerra pediam o impeachment do presidente. Isolados por um cordão de policiais, os manifestantes carregavam faixas com o símbolo da paz e cartazes com os dizeres "Bush: demita-se" e "Chega de sangue por petróleo". "Essa é uma boa oportunidade para que as pessoas demonstrem que estão decepcionados com essa ocupação desastrosa", disse um dos manifestantes.

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 19h44

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