Bush recebe Aznar, seu aliado na questão do Iraque

O presidente George W. Bush abriu na sexta-feira as portas de seu rancho no Texas para o chefe do governo espanhol, o primeiro-ministro José María Aznar, que apóia firmemente sua política em relação ao Iraque, apesar da forte oposição da maioria dos espanhóis a um conflito armado. Aznar chegou hoje aos EUA procedente do México, onde fez uma escala de várias horas, durante a qual se reuniu com o presidente mexicano Vicente Fox - que se opõe a uma intervenção militar unilateral no Iraque, como propõem os americanos. Para esta noite, Bush e Aznar programaram um jantar informal, do qual devem participar a asssessora de Bush para assuntos de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, a primeira-dama americana, Laura Bush, e alguns amigos da família, informou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. Acrescentou que ambos os governantes voltarão a reunir-se no sábado e que desse novo encontro deverá participar o diretor de Assuntos Europeus e Asiáticos do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Daniel Fried. O objetivo é analisar a redação de uma segunda resolução que os EUA e a Grã-Bretanha pretendem apresentar ao Conselho de Segurança na segunda-feira, na tentativa de obterem apoio para o uso da força para desarmar o Iraque. Também falariam de planejamento militar, da admissão de mais membros na Otan e de assuntos comerciais. O encontro com Aznar é parte de uma série de reuniões que Bush vem mantendo com seus aliados na questão do Iraque. Em dias recentes, Bush se entrevistou com os primeiros-ministros britânico, Tony Blair, italiano, Silvio Berlusconi, e australiano, John Howard, todos eles favoráveis à sua política para o Iraque. Na semana passada também falou com o presidente francês, Jacques Chirac - a figura mais visível do setor que se opõe a uma intervenção unilateral. A Casa Branca disse, nesta sexta-feira, que Bush se entrevistará com o presidente do Azerbaijão, Heydar Aliyev, cujo país se encontra 400 km a nordeste do Iraque e que também apóia a postura dos EUA de desarmar Bagdá à força. Do mesmo modo que Blair, Aznar apóia Bush, apesar de uma feroz oposição interna em seu país. Cerca de 3 milhões de espanhóis saíram às ruas no sábado passado, em 55 cidades e povoados, para se manifestarem contra uma possível guerra no Iraque. Diversas pesquisas mostram que a maioria dos espanhóis se opõe a uma intervenção militar no Iraque, da mesma forma que todos os partidos do Parlamento espanhol, com exceção do governista Partido Popular (PP). Mesmo assim, Aznar afirma que "desarmar o Iraque é essencial para a segurança mundial".

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2003 | 19h22

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.