Bush recebe o dalai-lama na Casa Branca e irrita a China

Pequim afirma que Washington está interferindo em assuntos internos chineses ao homenagear líder espiritual

BBC Brasil,

17 de outubro de 2007 | 08h23

O líder espiritual exilado do Tibet, o Dalai Lama, se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na Casa Branca, em Washington, nesta terça-feira, 16, num desafio a uma advertência da China de que isso prejudicaria seriamente as relações sino-americanas. A China também está irritada com uma cerimônia que deverá se realizar nesta quarta-feira no Congresso americano, em que o Dalai Lama receberá a mais alta condecoração a um civil dada no país - a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos. Bush também deverá comparecer ao evento. O ministro do Exterior da China, Yang Jieche, pediu aos Estados Unidos o cancelamento desta cerimônia que, segundo ele, interferiria nos assuntos internos de seu país.  " A China está profundamente ressentida e se opõe firmemente à solenidade oferecida pelos EUA", disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do país Liu Jianchao para a agência de notícias Xinhua. Mas a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que o encontro de Bush com o Dalai Lama, que ocorreu na ala privada da sede do Executivo, não teve o objetivo de provocar a China. Este foi o terceiro encontro entre Bush e o líder tibetano, de 72 anos, nos últimos seis anos. Segundo correspondentes, a visita do Dalai Lama a Washington ocorre em um momento delicado, quando a atual liderança chinesa está formulando seus planos no Congresso do Partido Comunista, em Pequim, que se realiza a cada cinco anos. O Dalai Lama vive em exílio na Índia desde um levante fracassado contra o domínio chinês no Tibet em 1959. O governo da China diz que o líder espiritual, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1989, está procurando destruir a soberania do país ao encorajar a independência do Tibet. O Dalai Lama insiste que quer "autonomia real", e não independência para a região, que a China afirma que pertence ao seu território há séculos e que os chineses dominam desde que forças comunistas invadiram o Tibet, em 1951.

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