Bush reitera pedido por legislação para julgamento de terroristas

Enfrentando uma revolta republicana no Senado, o presidente George W. Bush exortou hoje o Congresso a apoiar um projeto de lei que define o que será permitido em interrogatórios e investigações de suspeitos de terrorismo, advertindo que "o inimigo quer nos atacar de novo"."O tempo está acabando", disse Bush em coletiva de imprensa no jardim da Casa Branca. "O congresso deve agir com sabedoria e prontidão." Bush negou que os EUA possam ter perdido a guerra contra o terror aos olhos da opinião pública no plano moral, como sugeriu o ex-secretário de Estado Collin Powell. "É inaceitável pensar que há algum tipo de comparação entre o comportamento dos EUA e a ação dos extremistas islâmicos que matam crianças e mulheres inocentes para alcançar seus objetivos", disse Bush, se exasperando enquanto falava. Em relação ao Iraque, Bush disse lamentar que o número de tropas esteja aumentando, em vez de diminuir. Ele colocou a culpa na recente onda de violência sectária."Todos nós queremos ver as tropas voltarem para casa o quanto antes", disse. Mas o presidente afirmou que o general George Casey, o mais alto comandante das tropas dos EUA no Iraque, precisa de reforços "para ajudar os iraquianos a alcançar seus objetivos". Revolta republicanaA entrevista de Bush foi concedida um dia depois de parte dos republicanos do Comitê de Serviços Armados do Senado se voltarem contra a administração ao se unirem aos democratas na aprovação de um projeto de lei que garante que suspeitos de terrorismo estrangeiros serão protegidos pelas Convenções de Genebra. Bush diz que tal medida vai comprometer sua guerra contra o terrorismo. O presidente quer que o Senado vote um projeto parecido com um aprovado pela Câmara, que permitiria que sua administração continuasse a manter e a julgar suspeitos de terrorismo em tribunais militares e daria aos interrogadores mais liberdade de ação. Bush disse que trabalhará junto ao congresso, mas que continuará firme em suas demandas.Bush disse que trabalhará com o Congresso, mas que manterá suas demandas. "Infelizmente a decisão recente da Suprema Corte colocou o futuro deste programa em dúvida [...] Precisamos desta legislação para salvá-lo."Este ano, a Suprema Corte vetou um arranjo produzido pela administração Bush para manter suspeitos presos na base americana de Guantánamo, em Cuba. Bush disse que é vital tornar clara a lei a fim de proteger funcionários da inteligência que são chamados para interrogar os suspeitos. Ele considerou ser um importante debate que "define se podemos ou não nos proteger. O Congresso tem uma decisão a tomar." Democratas Os democratas responderam rapidamente."Quando militares conservadores como John McCain, John Warner, Lindsey Graham e Colin Powell batem de frente com o presidente, isso mostra o quão errada e isolada está a Casa Branca", disse o senador Charles Schumer, democrata. O líder republicano, senador McConnel, que apóia o presidente em seu plano, disse esperar que o Congresso chegue em um acordo "de forma que os interrogatórios dos detidos possam continuar." Enquanto isso, ministros do Exterior da União Européia pediram nesta sexta-feira a Bush que respeite as leis internacionais ao lidar com suspeitos de terrorismo, após o presidente americano ter finalmente admitido que a CIA manteve prisões secretas pelo mundo afora. "Reiteramos que, no combate ao terrorismo, devem ser respeitados os direitos humanos e normas humanas", disse o ministro do Exterior finlandês Erkki Tuomioja, falando em nome dos 25 ministros da UE. O grupo dissidente liderado por McCain e apoiado por Powell, ex-secretário de Estado de Bush, argumenta que, no fim, as normas defendidas por Bush iriam colocar a segurança das tropas americanas em situações de risco.

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