Bush reitera que só espiona para proteger americanos

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reiterou neste sábado que o trabalho dos serviços de inteligência de seu governo não viola o direito à intimidade dos cidadãos e tem como objetivo principal proteger os americanos. "O governo não escuta as ligações telefônicas pessoais sem uma autorização judicial."Em uma nova tentativa de acalmar a polêmica suscitada em torno de seu controvertido programa de espionagem, Bush ressaltou que "a privacidade de todos os americanos está extremamente protegida"."É exatamente isso o que estamos fazendo e até agora deu resultado, porque tivemos êxito na prevenção de outro atentado em nosso território", precisou.O presidente focou todo o seu discurso nesta questão para fazer frente às diversas vozes que acusam o governo de se exceder em suas funções, violando o direito à privacidade dos cidadãos, por causa da informação publicada na quinta-feira pelo jornal USA Today.Gigantesca base de dadosSegundo o jornal, os Estados Unidos criaram uma gigantesca base de dados que inclui registros de milhões de ligações, tanto de suspeitos de terrorismo como de cidadãos comuns, com a colaboração de três das maiores companhias telefônicas do país.Bush não confirmou nem desmentiu a existência dessa base de dados e se limitou a ressaltar que o programa de espionagem - que ele mesmo autorizou, após os atentados de 11 de setembro de 2001 - tem como missão localizar membros da rede terrorista Al Qaeda e de qualquer outra organização suspeita de terrorismo."Se existe, em nosso país, pessoas falando com a Al Qaeda, queremos saber. Não vamos sentar e esperar ser atacados de novo", prosseguiu.Legalidade Bush também ressaltou que o debate sobre a legalidade das atividades de inteligência no país não deve depender, absolutamente, da confirmação no Senado de seu candidato para dirigir a Agência Central de Inteligência (CIA), o general Michael Hayden.Foi Hayden quem iniciou o polêmico programa de escutas, quando dirigia a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês).Para o presidente, Hayden é uma pessoa "altamente qualificada" para assumir a CIA, entre outras razões, por seu extenso currículo neste assunto e porque conhece perfeitamente toda a estrutura da comunidade de inteligência do país.No entanto, vários legisladores, tanto republicanos como democratas, questionam sua escolha pelo presidente, não só pelo fato de Hayden ter sido o promotor das escutas telefônicas, mas também por ser militar.

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