Bush se desculpa com Blair por não avisar sobre carregamento de mísseis

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se desculpou com a Grã-Bretanha pelos EUA não terem avisado ao governo britânico de que dois aviões carregavam mísseis para Israel quando eles fizeram uma escala em um aeroporto Escocês, informou o porta-voz do premier britânico Tony Blair, nesta sexta-feira.O escritório da Autoridade de Aviação Civil Britânica está investigando quando o governo de Washington deu autorização para o carregamento de equipamento militar, sem o consentimento britânico, para os dois aviões do tipo Airbus A310 que fizeram uma escala no aeroporto de Glasgow para reabastecimento, na última semana.A secretária de Assuntos do Exterior da Grã-Bretanha, Margaret Beckett, já havia enviado uma queixa para a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, durante as conversas informais que ocorreram na reunião em Roma, na quarta-feira.Os aviões carregavam 28 mísseis GBU28, guiados por laser e estavam sendo mandados para Israel.Dois outros vôos levando cargas "perigosas" e também se dirigiam para Israel e pararam no aeroporto de Prestwick, Grã-Bretanha, para reabastecimento nesta semana, autoridades informaram. Ainda não foi esclarecido o que poderia ser as cargas nos aviões, mas o conteúdo precisou de autorizações especiais para continuarem seu caminho, e conseguiram.Reino Unido fornece peças para IsraelEmpresas britânicas fornecem peças para os helicópteros de combate Apache e os caças F-15 e F-16 que o exército israelense utiliza em suas incursões bélicas no Líbano e nos territórios ocupados, revelou neste sábado o jornal The Guardian.De acordo com a publicação, pelo menos oito companhias com sede no país, entre elas a Smiths Industries e a AugustaWestland, fornecem componentes usados pelas Forças Armadas de Israel, apesar de a lei britânica proibir a exportação de armas ou acessórios a países que possam "empregá-las agressivamente contra outros países" ou fomentar tensões regionais.A americana Boeing, fabricante do Apache, confirmou ao The Guardian que as peças fabricadas no Reino Unido são utilizadas em todos os helicópteros, inclusive nos que o governo israelense possui."Há seis mil peças no Apache que são fabricadas no mundo todo, e o Reino Unido é um dos principais colaboradores", disse ao jornal o diretor do departamento de engenharia do Apache, John Schibler.O The Guardian diz que o fornecimento de peças a Israel demonstra que há falhas no controle de exportação de armas no país, apesar de, nesta mesma semana, o ministro das Relações Exteriores, Kim Howells, ter afirmado que era "um dos mais rigorosos e transparentes do mundo".A lei para o controle de armas em vigor no Reino Unido também proíbe a concessão de licenças de exportação para países onde foram estabelecidas "sérias violações dos direitos humanos" ou se houver "risco claro de que a exportação proposta possa ser usada para a repressão interna".Segundo o jornal, está previsto que uma comissão parlamentar se pronuncie na próxima semana contra as exportações de armas ou peças a Israel, apesar das pressões de alguns deputados "para diminuir" o tom de condenação.As ONGs para o controle de armas denunciaram que o governo do Reino Unido faz poucos esforços para avaliar o destino final do armamento ou equipamento militar antes de outorgar as licenças.A organização pró-direitos humanos Anistia Internacional (AI) pediu esta semana que seja imposto um embargo de armas imediato a Israel e à milícia xiita libanesa Hezbollah.A revelação de que o país fornece atualmente componentes utilizados por Israel coincide com a polêmica iniciada com a informação de que dois aviões americanos carregados de mísseis para os sionistas fizeram escala em um aeroporto escocês no fim de semana passado.ContraposiçãoMesmo com as desculpas do presidente Bush, já foi anunciado que os EUA utilizarão aeroportos do Reino Unido para reabastecimento de aeronaves que carregam mísseis para Israel.Ativistas da campanha "Stop the War" ("Parem a Guerra") preparam uma manifestação para domingo, enquanto o debate no país sobre o fato de o Reino Unido se prestar a colaborar com os EUA em sua provisão de armas a Israel continua. Os moradores da região próxima ao aeroporto mostraram sua contrariedade ao uso das instalações para esse fim.Matéria atualizada às 16h01

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