Bush se diz otimista quanto a conversas com China

O presidente americano, George W. Bush, e o secretário de Estado, Colin Powell, mostraram-se otimistas nesta sexta-feira com os progressos nas negociações com Pequim para tentar resolver a crise desatada pela retenção na China desde o último domingo da tripulação de um avião americano que colidiu com um caça chinês sobre o Mar do Sul da China. "Trabalhamos duro para tentar obter a repatriação (dos tripulantes) e acreditamos que estamos obtendo avanços", disse Bush durante uma cerimônia em Washington. Powell, por sua vez, disse estar animado pela reviravolta nas negociações após a realização, nesta sexta-feira, na ilha chinesa de Hainan, de um segundo encontro de uma hora entre os 24 membros da tripulação do avião espião e diplomatas americanos.Powell disse que a China também havia aceitado que a tripulação recebesse visitas regulares. O terceiro encontro deve ocorrer neste sábado. O jato chinês caiu no mar, enquanto o avião americano, seriamente avariado, teve de realizar uma aterrissagem forçada numa base militar em Hainan. O secretário de Estado, citando como fonte os sete diplomatas americanos que se reuniram nesta sexta com a tripulação, disse que os 21 homens e 3 mulheres que estavam a bordo do EP-3 estavam sendo bem tratados. "A tripulação encontra-se bem. Não há indícios de que tenham recebido maus tratos verbais ou físicos", disse Powell, esclarecendo que os militares americanos encontram-se nas dependências dos oficiais chineses da base aérea. O secretário de Estado disse que eles foram separados em grupos. Enquanto o comandante do avião estava sozinho em um quarto, os 20 homens ocupavam quartos duplos, e as 3 mulheres, o mesmo quarto. Segundo altos funcionários americanos, os primeiros sinais de entendimento surgiram durante as conversações realizadas na noite da última quarta-feira, após a decisão de Washington de manifestar seu pesar a Pequim pela morte do piloto chinês do caça F-8 que se chocou com o avião espião americano. O presidente chinês, Jiang Zemin, que realiza uma visita de 12 dias a 6 países latino-americanos, entre eles o Brasil, insistiu nesta sexta-feira no Chile em que os EUA devem apresentar um pedido de desculpas formal. Em conversa com o presidente chileno, Ricardo Lagos, Jiang disse que, nos vários países que visitou, o normal é que, "quando pessoas andando se chocam, as duas partes pedem desculpas, pedem perdão". Os EUA insistem em que o avião espião estava sobrevoando o espaço aéreo internacional no momento do acidente, mas o governo chinês alega que ele estava em seu espaço aéreo. Apesar da posição intransigente de Jiang, o porta-voz da chancelaria chinesa, Sun Yuxi, destacou que a China e os EUA não são inimigos, e os canais diplomáticos entre os dois países funcionam fluidamente. O embaixador dos EUA em Pequim, Joseph Prueber, que dirige as conversações, disse que as duas partes "trocaram um grande número de idéias" para tentar resolver a crise.Já foram realizadas quatro reuniões no Departamento de Estado entre funcionários americanos e o embaixador chinês em Washington, Yang Jiechi. Segundo altos funcionários americanos, citados nesta sexta-feira pelo jornal The New York Times, Pequim e Washington estariam avaliando a possibilidade de criar uma comissão conjunta, prevista por um pouco conhecido acordo de consultas militares marítimas firmado entre ambos os países. Esta comissão estaria encarregada de investigar como ocorreu a colisão e de estabelecer "as regras do jogo" entre os dois países para evitar que no futuro um acidente como esse volte a ocorrer. Segundo uma pesquisa realizada pelo jornal The Washington Post e a rede ABC divulgada nesta sexta-feira, 64% dos americanos aprovam o modo como Bush está lidando com a crise. E 54% dos americanos concordam em que os EUA não devem pedir desculpas à China pelo incidente.

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