Bush se reunirá com democratas para debater fundo de guerra

O presidente dos EUA, George W. Bush, e líderes do Partido Democrata (oposição) vão conversar na quarta-feira, na Casa Branca, sobre suas desavenças a respeito da forma de custear a guerra no Iraque, mas parece improvável que os dois lados consigam superar os impasses existentes. Fortalecidos por pesquisas de opinião segundo as quais os americanos desejam que as forças dos EUA saiam do Iraque, os democratas defendem condicionar a aprovação de uma medida de 100 bilhões de dólares a serem gastos com as guerras no Iraque e no Afeganistão a um cronograma de retirada. Bush, de outro lado, acusa a oposição de estar interferindo indevidamente na condução dos conflitos e de carregar a proposta de lei com projetos domésticos referentes a outras áreas. O líder norte-americano prometeu vetar qualquer projeto que inclua uma data de retirada do Iraque. Os dois lados trocaram acusações inflamadas. Bush chamou a exigência por um cronograma de "despropositada", e os democratas classificaram a política do governo para o Iraque de "equivocada." O presidente vem dando destaque a seu papel de comandante das Forças Armadas do país para tentar retomar o controle sobre os rumos da disputa. No entanto, seus baixos índices de popularidade são interpretados pelos democratas como pontos de apoio à postura deles. Uma pesquisa do Washington Post-ABC News divulgada na terça-feira mostrou que 58 por cento dos norte-americanos acreditavam que os deputados e senadores democratas se sairiam melhor na condução da questão iraquiana - 33 por cento disseram preferir Bush. Os democratas, que controlam as duas casas do Congresso, esperam enviar o projeto de lei para Bush até o final do mês. A senadora Olympia Snowe, uma republicana que votou contra o projeto de lei aprovado no Senado, disse que o impasse era preocupante por causa do clima de incerteza gerado por ele. "Nesse meio tempo, estamos comprometendo um número maior de soldados, há um risco maior, há perdas maiores", afirmou. O senador Ben Nelson, um democrata que votou a favor do projeto de lei do Senado, previu que o Congresso enviará um projeto de lei único para Bush com "algum tipo de data" sobre a retirada das forças norte-americanas. Mas acrescentou: "Se eu tivesse escolha, não haveria datas. No entanto, isso não deverá ser possível na primeira rodada (de negociações)."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.