Bush tem dia de más notícias sobre o Iraque

Em seu retiro em Camp David, rodeado de neve, o presidente americano George W. Bush recebeu hoje somente más notícias para seus planos de guerra contra o Iraque. A principal delas foi a negação por parte do parlamento turco em aprovar a entrada de tropas americanas em seu território. A agência oficial do governo turco ? que apoia a abertura do território para tropas e armamentos americanos ? indicou que Ancara deverá buscar uma nova resolução.A votação não alcançou a maioria necessária. Segundo o artigo 96 da Constituição turca, é necessários maioria absoluta, ou seja, 266 votos. A votação foi 264 a favor e 250 contra. Os 19 abstencionistas decidiram o resultado, apesar de os votos favoráveis terem sido em maior número que os contrários. Em um primeiro momento a liderança da casa chegou a anunciar a aprovação da monção. Mas, após uma reunião, ficou estabelecido que o número necessários de votos não foi alcançado segundo o artigo 96.Segundo o presidente do parlamento, Bulent Arinc, o "decreto não foi aprovado nem rejeitado". "Faremos todos o necessário", disse o primeiro ministro turco Abdullah Gul, negando que haja uma crise no governo ou na base governista.As primeiras declarações de Washington sobre a derrota na Turquia foram frias. Primeiro, a Casa Branca pediu "esclarecimentos" a Ancara sobre a confusa decisão do Parlamento turco. "Esperamos entender qual foi a decisão", disse a porta-voz do departamento de Estado Tara Riegler. Pouco depois, a embaixada norte-americano em Ancara, procurou minimizar a derrota. "Não muda nada. Temos muitos interesses em comum".Outro problema para Bush hoje foi a destruição de parte dos mísseis Al Samoud por parte do Iraque e a "completa rejeição" por parte da Liga Árabe para um eventual ataque moldaram um dia negativo para a administração Bush. Bush também foi informado sobre o envio ao Washington do cardeal Pio Laghi, que entregará a Bush uma mensagem do papa João Paulo II contra a guerra do Iraque.No entanto, os primeiros informes da Casa Branca indicam que a rota do governo Bush não se alterou. "A destruição dos mísseis Al Samoud é apenas uma parte série de enganos" do regime iraquiano disse a porta-voz Mercy Viana. Mercy lembrou ainda que a resolução 1441 da ONU exige "um desarme completo e total" do Iraque.As reações norte-americanas para os episódios parecem confirmar uma sensação do New York Times. Segundo o jornal, Bush dobrou suas apostas e agora exige que o único modo de se evitar a guerra é um desarme total e a saída de Saddam Hussein. Para o Times, ressuscitando o objetivo de Bush de uma troca do regime iraquiano em um momento crítico, a Casa Branca eleva sua aposta acima da dos inspetores de armas: a simples destruição do arsenal bélico.

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