Bush teme Saddam; Washington teme franco-atirador

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mantém empenho em convencer a população sobre a urgência de desfechar um ataque preventivo contra o Iraque para afastar a ameaça que, segundo ele, o presidente Saddam Hussein representa para os Estados Unidos, os 3 milhões de habitantes da área metropolitana de Washington continuaram a enfrentar nesta terça-feira, pelo quinto dia consecutivo, perigo real mais imediato de um franco-atirador que já matou seis pessoas e feriu outras duas em quatro pontos diferentes da região.Testes de balística confirmaram que fragmentos da bala calibre .223 retirados do corpo de um estudante negro de 13 anos, que foi atingido no peito, na segunda-feira, quando chegava ao colégio, em Bowie, condado de Prince George, no estado Maryland, são idênticos aos que mataram ou feriram as outras vítimas e podem ter sido disparado da mesma arma. Esse tipo de bala é usado tanto pelas forças armadas como caçadores e colecionadores de rifles automáticos de alta velocidade.Inimigo invisívelO medo diante do inimigo invisível alterou a rotina dos subúrbios que contornam a capital norte-americana. Nos condados de Montgomery, onde ocorreram as cinco primeiras mortes, as escolas públicas e particulares funcionam desde a sexta-feira passada sob um regime de alerta e proteção policial. As atividades esportivas e o recreio ao ar livre estão suspensos. Em todas as escolas aumentou o número de pais que levam e vão buscar os filhos.Em Rockville, a segunda maior cidade de Maryland, onde o franco-atirador atacou primeiro, o movimento do comércio caiu, especialmente em lojas, lanchonetes e restaurantes com janelas e vitrines expostas para a rua. Muitas pessoas têm evitado abastecer os carros em postos de gasolina localizados em lugares mais abertos.Linha de tiro desimpedidaA polícia encontrou o cartucho da bala que atingiu o estudante em Bowie na entrada de um bosque situado a 45 metros de distância do local do impacto, com uma linha de tiro desimpedida. Perto de 200 investigadores das polícias municipais da região, trabalhavam hoje no caso, com apoio de agentes do FBI e de outras agências de segurança federais e do estado de Maryland.As prefeituras e o governo de Maryland oferecem uma recompensa de US$ 190 mil por informações que levem à captura e condenação do culpado. As várias polícias da região trabalham com a hipótese de que a mesma pessoa tenha feito os disparos.CovardiaBush classificou os ataques de "covardia sem sentido". O diretor de segurança interna da Casa Branca, Tom Ridge, informou que, por ora, as autoridades não têm indício de que se trate de ataques terroristas.A polícia do condado de Maryland recebeu mais de 6 mil chamadas e registrado 1.250 "indícios críveis". Mas as únicas aparentemente disponíveis era relatos de testemunhas que afirmaram ter visto um furgão ou um perua branca deixar o local de dois dos ataques, logo depois que eles ocorreram.Frustrados com a falta de progresso nas investigações, os prefeitos e chefes de polícia das cidades e jurisdições da Grande Washington visitadas até agora pelo franco-atirador deram uma entrevista coletiva hoje, junto com o governador de Maryland Parris Glendening, para tranqüilizar a população. O chefe da polícia de Montgomery, Charles A. Moose pediu às pessoas que reportem à polícia "coisas que estejam fora do lugar".

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