Bush tenta acalmar americanos após "alerta geral" do FBI

O presidente George W. Bush procurou tranqüilizar os americanos nesta quinta-feira à noite sobre sua segurança, algumas horas depois de o FBI ter feito um "alerta geral" sobre a possibilidade de novos atos terroristas nos Estados Unidos "nos próximos dias". Falando ao país em sua primeira entrevista coletiva formal desde que assumiu a Casa Branca, um mês depois dos ataques terroristas contra o World Trade Center e o Pentágono, o líder americano disse que estava informado da natureza da informação que levou o FBI a lançar o alerta. "Os americanos devem saber esta noite que enquanto a ameaça estiver presente, estaremos dando todos os passos possíveis para proteger nosso país contra o perigo", disse ele. "Se recebermos uma informação específica contra um prédio, uma cidade ou uma instalação, posso lhes garantir que o governo fará tudo o que pode para proteger os cidadãos", afirmou o presidente, respondendo a um jornalista que questionou a sabedoria de o governo lançar tal alerta geral aos americanos ao mesmo tempo em que Bush lhes pede para retornar a suas vidas normais e não se deixar intimidar pelos terroristas. "Espero que esta seja a última ameaça, mas dada a natureza dos malfeitores, talvez não seja", afirmou. "A verdade é que para realmente defender a América, temos que derrotar os malfeitores". Bush disse que os bombardeios no Afeganistão estão ajudando a atingir esse objetivo. Mas reconheceu que não sabe "se Osama Bin Laden está vivo ou morto", nem "onde ele está". Segundo o líder americano, o dissidente saudita, que Washington considera o líder da organização terrorista Al-Qaeda e o mandante dos atos terroristas de 11 de setembro, está tentando escapar das bombas. "Nós vamos forçá-lo a sair da caverna (onde se esconde) e trazê-lo à Justiça", afirmou. Mas a captura de Bin Laden não esgotará a guerra contra o terrorismo. "Ele é apenas um entre 22 de uma lista que terroristas que publicamos", disse Bush. "Nossa luta não é contra uma pessoa, mas contra uma rede e quem a apoia... e estamos buscando suas células ao redor do mundo". O presidente justificou os ataques aéreos contra o Afeganistão dizendo que deu ampla chance ao regime do Taleban, que controla a maior parte do país, para entregar Bin Laden e os demais terroristas que abriga, antes de ordenar o início do bombardeio. Bush disse que a oferta da entrega dos terroristas continua de pé. "Estou disposto, mesmo agora, a dar uma segunda chance ao Taleban", afirmou. Bush usou os 45 minutos do encontro com a imprensa, durante o qual respondeu a treze perguntas, geralmente suaves, para reiterar que os EUA enfrentam um novo tipo de guerra, na qual as ações militares são apenas uma das frentes de ação. "Fizemos muito em um mês", afirmou Bush. Mas ele admitiu que a vitória poderá levar anos. "A batalha demorará o tempo que for necessário para trazer a Al-Qaeda à Justiça", disse. "Pode terminar amanhã ou em um mês, mas pode levar um ano ou dois, e estou determinado a manter o curso". Segundo Bush, os americanos "estão irados, mas serão pacientes e justos em sua resposta". O presidente afastou a hipótese de o conflito transformar-se num novo pântano político e militar, como foi a guerra do Vietnã. "Nós aprendemos no Vietnã que não podemos travar uma guerra de guerrilha com forças convencionais e sabemos que estamos num tipo diferente de guerra". Ele falou genericamente sobre o sacrifícios que os americanos estão tendo que fazer desde 11 de setembro. "Mas acho que há um certo sacrifício quando você perde uma parte de sua alma", afirmou. Perguntado sobre a possibilidade de Washington vir a aceitar a cooperação de países que os EUA consideram patrocinadores do terrorismo, Bush revelou que seu governo está em conversações com a Síria. Ele não ofereceu nenhuma informação sobre o tipo de ajuda que Damasco está disposta a dar, mas deixou claro que leva a oferta a sério. "Vamos dar a eles uma oportunidade" de ajudar na luta contra o terrorismo. "Se você quiser juntar-se à coalizão contra o terror, seja bem-vindo", disse. Mas o líder americano ressaltou que, embora aprecie a conversa diplomática, está interessado em resultados: se um país quiser nos ajudar com informações, ajude-nos com informações", disse. "Agora, se um país abrigar terroristas, pagará o preço". Sobre o futuro do Afeganistão, disse que Washington não escolherá favoritos entre as diversas facções afegãs que lutam contra o Taleban e trabalhará pela estabilidade do país. Mas fez uma crítica velada ao governo Reagan, dizendo que, depois da derrota do Taleban, os Estados Unidos não abandonarão o Afeganistão, como correu em 1988, quando a União Soviética encerrou nove anos de ocupação militar, derrotada por guerrilheiros armados por Washington que hoje militam na Al-Qaeda, no Taleban e em outras facções, como a Aliança do Norte. Leia o especial

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 23h34

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