Bush tenta dividir América do Sul com viagem, diz Venezuela

A Venezuela disse na segunda-feira que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tentará dividir a América do Sul ao visitar em março vários países da região. "Aí vem Bush para a América do Sul, para quê? Para tentar dividir. Não vai conseguir. Vem perder seu tempo", disse o chanceler Nicolás Maduro a jornalistas. "Em todo caso, os povos da América do Sul responderão em massa e dirão o que têm de dizer a esse senhor, que tanto dano fez à humanidade, à paz e à vida", acrescentou. Bush deve visitar Brasil, Colômbia, Guatemala, México e Uruguai entre 8 e 14 de março. Os principais temas devem ser energia, narcotráfico e migração ilegal. Os governos de Bush e Hugo Chávez vivem uma constante guerra retórica, o que não impede a Venezuela de continuar sendo um dos principais fornecedores de petróleo para os EUA. Em meio à disputa verbal e à recente ameaça de Chávez de declarar persona non grata o atual embaixador norte-americano, o presidente venezuelano concedeu o "agréement" ao novo representante de Washington, que substituirá William Brownfield. Maduro deu as boas-vindas ao novo embaixador, Patrick Duddy, sem anunciar quando Chávez concedeu a autorização para a instalação do diplomata. "Tomara que venha em tom de diálogo e de respeito à soberania", afirmou o ministro. Ele respondeu também a declarações feitas no fim-de-semana pelo subsecretário norte-americano de Estado, Nicholas Burns, que questionou a agenda política de Chávez e disse que seu governo não quer depender do petróleo dele. "Se Nicholas Burns diz que não lhe faz falta o petróleo venezuelano, que não o compre, então. Nós vamos continuar vendendo petróleo aos Estados Unidos da América do Norte porque somos um país sério. O vendemos à sociedade norte-americana", disse o chanceler. Depois da reeleição de Chávez, em dezembro, os governos dos dois países manifestaram a intenção de melhorar suas relações, mas o presidente venezuelano continua manifestando dúvidas sobre as intenções norte-americanas. A Casa Branca considera Chávez uma ameaça regional por sua ligação com outros governos antiamericanos, como os de Cuba e Irã. Já Caracas afirma que o governo Bush apóia planos para derrubar e até matar Chávez.

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