Bush tentará apoio do Congresso para atacar Iraque

O presidente George W. Bush afirmou nesta quarta-feira, pela primeira vez, que pedirá aprovação do Congresso antes iniciar um ataque contra o Iraque para tirar Saddam Hussein do poder. Em encontro com os líderes do Congresso, ele disse que solicitará a autorização ?necessária para lidar com essa real ameaça?. Altos funcionários disseram que a Casa Branca trabalha com duas dúzias de planos diferentes, o que sugere que qualquer operação militar demorará ainda alguns meses para ser preparada e desencadeada. Uma das alternativas em estudo é tentar legitimar a guerra contra o Iraque, que é hoje repudiada pela comunidade internacional, obtendo a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que estipule um prazo para Saddam Hussein aceitar incondicionalmente um regime internacional de inspeção de armas de destruição de massas ou arcar com as medidas punitivas que seu país sofrerá, se se recusar.Mas este não parece ser o caminho preferido por Bush. Perguntado se acredita na eficácia de um eventual retorno ao Iraque dos inspetores de armas, que deixaram o país em 1998, ele respondeu: ?A questão não são os inspetores; (Saddam Hussein) é um homem que disse que não se armaria, que não abrigaria armas de destruição em massa; a questão aqui é desarmamento?. Bush disse ainda que buscará apoio internacional antes de atacar. Ele informou que pedirá aos líderes mundiais para reconhecer que Saddam Hussein representa ?uma séria ameaça?, no discurso que fará à assembléia geral da ONU, no próximo dia 12, um dia depois de participar das cerimônias que marcarão o primeiro ano dos ataques terroristas coordenados que mataram quase dois mil americano em Nova York, Washington e no interior da Pensilvânia. Embora não exista nenhum indício de conexão entre o ditador do Iraque e a organização Al Qaeda, que levou a cabo os devastadores atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, está claro que o governo americano pretende usar o clima emocionalmente carregado do trágico aniversário para convencer os americanos e a comunidade internacional sobre o imperativo de uma ação punitiva contra Bagdá. ?Eu lembrarei às Nações Unidas que durante longos onze anos Saddam Hussein fez de tudo para enganar e livrar-se de acordos que o proibiam de desenvolver armas de destruição em massa?, afirmou Bush, referindo-se aos compromissos que o Iraque assumiu perante a comunidade internacional como parte dos termos de sua rendição ao final da Guerra do Golfo. ?Eu conclamarei a comunidade internacional a reconhecer que Sadam está fazendo trapaçascom o mundo?. Num reconhecimento tácito de que a ofensiva retórica que fez nasúltimas semanas para justificar a ação punitiva contra o líderiraquiano não deu o resultado pretendido e expôs divisões dentro daprópria administração, o líder americano admitiu que estava reiniciando a campanha política da guerra. ?Saddam Hussein é uma séria ameaça; ele é um problema significativo e é algo que com o que este país precisa lidar?, afirmou. ?Hoje começa o processo sobre como abrir um diálogo com o Congresso e, portanto, com o povo americano, sobre o nosso futuro e como melhor enfrentá-lo?, acrescentou Bush. ?Não fazer nada sobre essa séria ameaça não é uma opção para os Estados Unidos?. Bush iniciará a ofensiva diplomática para legitimar uma guerrapreventiva que quer iniciar contra o Iraque neste sábado, duranteencontro que terá em Camp David com o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair ? o único aliado dos EUA, além de Ariel Sharon, de Israel, que apóia a iniciativa. Bush informou também que falará com os chefes de governo da China, Rússia e França, que são membros permanente do Conselho de Segurança. Ele terá um encontro com o primeiro-ministro do Canadá, Jean Chretien, em Detroit, antes de discursar na ONU.

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