Bush tomou decisões no subsolo de Nebraska

O presidente George W. Bush decidiu o destino dos Estados Unidos sob ataque do terror 100 metros abaixo da superfície arenosa do estado de Nebraska, no interior de uma montanha de rocha sólida onde nos anos 60 foram abertos grandes salões, hoje de paredes forradas com imensos painéis digitais. É um ambiente escuro, aliviado pela luz verde produzida por pequenos filamentos embutidos na pedra. Circulam ali militares de rostos sérios, especialistas em defesa e ataque que falam em voz baixa e podem ativar a maior máquina de guerra do planeta. Na condição de Chefe Supremo das Forças Armadas, foi para lá, a sede do Comando Estratégico Aeroespacial, que o presidente Bush transferiu o primeiro escalão do governo dos EUA quando a onda de atentados em série chegou à capital, Washington. O Gabinete de Crise, formado diretamente por aproximadamente 20 pessoas (assessores de segurança, generais das forças armadas, analistas do Departamento de Estado, assessores da Casa Branca) e coordenado pelo Chefe do Estado Maior Conjunto, fica no centro da base, separado da sala de situação apenas por uma parede de vidro. A cadeira do Presidente dos Estados Unidos está diretamente voltada para o conjunto de monitores de imagens de alta resolução, enviadas por satélites. Por meio delas hoje Bush podia ver o movimento nas ruas de Bagdá e as colunas de fogo em Nova York. Ao lado da poltrona giratória com as armas da presidência em relevo, um teclado simples de computador, coberto por uma placa de acrílico transparente sem trava, abriga os comandos que deverão receber os códigos jamais usados de um ataque nuclear. Antes de Nebraska, o presidente esteve por algumas horas em uma base secreta da força aérea no estado da Louisiannia, alternativa para o Comando Aeroestratégico. As primeiras providências executivas foram disparadas da Sala de Cristal, um centro 3C (Comando, Comunicações e Controle) de alta segurança. Bush determinou que um Grupo de Batalha completo, formado por dois porta-aviões (180 jatos de ataque), 8 fragatas lança-mísseis, 4 destróieres e talvez dois submarinos de ataque, deixasse a base de Norfolk e assumisse o controle de defesa do litoral leste. Enquanto os navios rumavam para uma posição a nordeste, ao largo de Nova York, 40 aviões supersônicos F-18S-Hornet e F-14D/Tomcat armados de mísseis decolaram e estabeleceram um grande circulo de exclusão e defesa aérea. Pelo menos três grandes jatos B-135 de vigilância e monitoramento eletrônico saídos de terminais em terra integraram o Grupo exatos 30 minutos depois da decolagem do primeiro caça. Uma hora mais tarde uma complexa pirâmide com 450 quilômetros de base e 20 mil metros de altura deslocava-se pelo mar e pelo ar, à espera de uma ameaça real e imediata.

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