Bush traiu Blair na questão israelense, dizem críticos

Enquanto Tony Blair e o presidente dos EUA, George W. Bush, faziam uma demonstração pública de unidade hoje em Washington, críticos na Grã-Bretanha afirmavam que, ao endossar uma proposta de Israel de manter assentamentos judaicos na Cisjordânia, o presidente esnobou Blair. O primeiro-ministro defendia arduamente o "roteiro para a paz" no Oriente Médio, uma iniciativa que, para muitos, foi sabotada por Bush, que apoiou um plano unilateral israelense de retirada da Faixa de Gaza e de pequenas partes da Cisjordânia.O ex-secretário do Exterior Robin Cook escreveu um ácido comentário de primeira página no jornal The Independent dizendo que Bush abandonou abruptamente uma antiga posição anglo-americana de oferecer mediação imparcial entre Israel e os palestinos. "George Bush simplesmente desligou os aparelhos que mantinham vivo o roteiro para a paz", escreveu Cook. Ele "não poderia ter esnobado de pior maneira Tony Blair na véspera de seu encontro".Blair tem sido o mais tenaz aliado de Bush no exterior e voltou a reunir-se com ele hoje em Washington. Muitos britânicos acreditam que, ao prometer apoio na guerra no Iraque, o primeiro-ministro exigiu de Bush um novo esforço pela paz entre israelenses e palestinos. Alguns comentaristas chegaram a sugerir que Blair fez Bush prometer que assumiria o compromisso, em troca de apoio no Iraque."Começa a parecer humilhante para Blair - a promessa que extraiu por sua obstinada fidelidade no Iraque ser pisoteada publicamente", escreveu o analista Jonathan Freedland, no jornal Guardian.

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