Bush vai à Bulgária para negociar escudo antimísseis

Presidente americano espera que diálogo com Rússia sobre defesa seja benéfico

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está na Bulgária para negociações sobre os planos dos Estados Unidos para construir um sistema de defesa antimísseis na Europa. Em Sófia, Bush afirmou que o sistema visa a defesa contra mísseis de longo alcance que, segundo o presidente americano, passariam por cima da Bulgária.O governo da Bulgária, que é aliado dos Estados Unidos, está preocupado com a possibilidade de ser deixado de fora do plano, que deve incluir instalações na Polônia e na República Checa.A nação, que fazia parte do bloco comunista, se juntou à Otan em 2004 e agora é integrante da União Européia e teme que, apesar de sua lealdade, o país fique fora do alcance do escudo antimíssil dos Estados Unidos.A questão contribuiu para o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Rússia. Bush afirmou que espera que a proposta de especialistas americanos e russos colaborarem em sistemas de defesa antimísseis diminua a tensão.As negociações para incluir a Bulgária nos planos de defesa americanos vão apenas piorar as tensões com os russos, que vêem o sistema como uma ameaça e um desafio à sua influência na região, segundo o correspondente da BBC Jonathan Beale.A Rússia é contra o plano, que afirma ser uma ameaça, e o presidente Vladimir Putin ameaçou apontar os mísseis russos contra a Europa em resposta aos planos americanos.Os Estados Unidos, por sua vez, afirmam que o escudo de defesa antimísseis não é dirigido à Rússia, mas a países como Irã e Coréia do Norte.A visita de Bush a Sófia é a parte final de sua viagem de oito dias pela Europa. A viagem levou o presidente americano à reunião de cúpula do G8 na Alemanha, além da República Checa, Polônia, Itália e Albânia.Apoio no IraqueEm uma entrevista coletiva com o presidente búlgaro, George Parvanov, Bush também manifestou apoio ao pedido da Bulgária de libertação de cinco enfermeiras búlgaras sentenciadas à morte na Líbia sob acusação de infectarem crianças com o vírus HIV.O presidente americano afirmou que a libertação das enfermeiras é "prioridade", e uma delegação da União Européia está na Líbia tentando negociar a libertação das cinco."Elas devem ser libertadas e devem receber permissão para voltarem para suas famílias", disse.Durante a reunião formal com Parvanov e o primeiro-ministro Sergey Stanishev, Bush agradeceu à Bulgária pelo apoio no Iraque e no Afeganistão.As forças búlgaras no Afeganistão deverão aumentar de 200 para 800 soldados. No Iraque, 13 soldados búlgaros já morreram.Mais de três mil soldados americanos devem começar a chegar a uma nova base na Bulgária em setembro, como parte da política americana de mover grande parte de suas forças européias para pontos mais próximos do Oriente Médio.

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