Bush vai renovar comando militar e diplomático no Iraque

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai fazer várias mudanças-chave no comando militar americano como parte de sua nova estratégia para o Iraque a ser anunciada nos próximos dias, segundo informações de funcionários do governo. As mudanças, que também incluiriam um acréscimo temporário de até 20 mil homens nas tropas americanas no país árabe, ainda não foram confirmadas oficialmente pela Casa Branca nem pelo Pentágono, mas funcionários do governo e a imprensa americana afirmam que Bush quer um novo time no comando.De acordo com a Associated Press, não será apenas no comando militar que Bush deve mexer. O time responsável pelas estratégias diplomáticas também deverá ser alterado, apontando o que tem sido chamado de "nova direção" para a guerra no Iraque, que está perto de completar quatro anos de conflitos intensos, desde a ocupação de Bagdá, em março de 2003.Ainda conforme apurou a AP, Bush deseja substituir o general John P. Abizaid, o mais alto comandante norte-americano no Oriente Médio, e o general George Casey, chefe do quartel general no Iraque. William Fallon deve substituir Abizaid e Casey deverá ser trocado pelo general David Petraeus, que chefiou o treinamento de uma tropa extra de reforço no Iraque.O embaixador americano em Bagdá, Zalmay Khalilzad, deverá deixar o cargo para assumir como embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU). O posto de Khalilzad em Bagdá deverá ser ocupado pelo atual embaixador americano no Paquistão, Ryan Crocker.O diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, John Negroponte, deverá ocupar o cargo de subsecretário de Estado e será substituído por Michael McConnell.TropasSegundo a correspondente da BBC em Washington, a nova estratégia de Bush para o Iraque poderá incluir o envio de até 20 mil novos soldados, principalmente para Bagdá e arredores. Essas tropas teriam a missão de desarmar milícias na região.O envio de soldados vai contra a posição dos democratas, que assumiram o controle do Congresso americano nesta quinta-feira, depois de 12 anos de supremacia republicana.Em seu discurso na sessão inaugural do novo Congresso, a nova presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, reivindicou que Washington comece a retirada dos soldados americanos do Iraque."O povo americano rejeitou a obrigação com uma guerra sem fim", afirmou Pelosi.Pelosi disse que Bush deve articular um plano para que os iraquianos possam se defender sozinhos e para promover a estabilidade na região.MalikiSegundo a Casa Branca, em uma teleconferência com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri Maliki, nesta quinta-feira, Bush concordou com a necessidade de forças de segurança "suficientes" em Bagdá."Uma coisa é certa: eu vou querer assegurar que o objetivo seja claro e específico e que possa ser atingido", afirmou Bush. Ele disse que queria ver se Maliki estava preparado para trabalhar para proteger os iraquianos do aumento da violência sectária.Em uma entrevista recente, Maliki afirmou que gostaria de não ter de cumprir seu mandato até o fim. Mas Bush disse acreditar que Maliki tem a determinação necessária para tomar decisões difíceis.O presidente americano disse também que gostaria que a execução do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein tivesse sido "mais digna" e que espera uma "investigação detalhada" sobre a maneira como a execução ocorreu."Mas minha opinião pessoal é a de que Saddam Hussein recebeu um julgamento que ele se recusou a oferecer às milhares de pessoas que matou", afirmou.

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