Bush visita fronteira e pede aprovação de reforma migratória

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, visitou nesta segunda-feira, 9, a fronteira com o México, onde pediu que o Congresso aprove ainda este ano uma reforma migratória bipartidária, incluindo um plano de trabalhadores temporários, que evite erros passados."Este problema (da imigração ilegal) veio crescendo durante décadas, e os esforços do passado para responder ao problema fracassaram", disse Bush durante uma visita a Yuma, uma desértica cidade na fronteira sudoeste do estado do Arizona.Para evitar os fracassos do passado, disse o presidente, é necessária uma reforma que realmente freie a imigração ilegal, o que exerce fortes pressões sobre as escolas, hospitais, prisões e outros serviços dos governos locais e estaduais.Por isso, pediu uma reforma que inclua entre seus objetivos a segurança fronteiriça, um programa de trabalhadores temporários e a responsabilidade das empresas em relação às pessoas que contratarem. Também quer que a reforma dê uma resposta aos imigrantes ilegais que já vivem nos EUA e promova a integração social dos imigrantes.Bush destacou o aumento dos recursos humanos e financeiros para desmantelar o lucrativo tráfico de pessoas feito pelos "coiotes", e para melhorar o processo de detenção e deportação dos imigrantes ilegais que, segundo ele, superavam amplamente o número de agentes da Polícia de Fronteiras no setor.É a mesma área para onde, por ordens do presidente, cerca de 6.000 membros da Guarda Nacional deslocaram-se em maio passado, como parte da Operação Jump Start, para ajudar nas tarefas de vigilância e capacitação da Polícia de Fronteiras.Aprovação no CongressoA reforma migratória, sobre a qual o Congresso começará a trabalhar em meados do próximo mês, "é um assunto de interesse nacional, e é um assunto do qual estou profundamente convencido", disse Bush, que prometeu promulgá-la assim que a receber.No entanto, este é justamente o desafio que Bush enfrenta, devido às divergências que mantém com o Congresso por causa da guerra no Iraque e do afastamento de oito procuradores no ano passado.Além disso, muitos republicanos insistem em que uma reforma migratória que permita a legalização de imigrantes ilegais é sinônimo de "anistia".Em sua busca de igualdade e justiça para os imigrantes ilegais, por um lado, e de respostas viáveis para as necessidades do mercado de trabalho americano, por outro, o Congresso segue tão dividido sobre o tema como no ano passado.Para ir adiante, uma reforma precisaria de pelo menos 60 votos no Senado e de uma maioria simples na Câmara de Representantes.A presidente da câmara baixa, a democrata Nancy Pelosi, tenta fazer com que pelo menos 70 republicanos da casa apóiem a reforma, o que precisaria da intervenção de Bush, segundo analistas.ManifestaçõesO discurso de Bush, parecido com muitos que pronunciou sobre o tema, impressionou pouco os grupos pró-imigrantes, como o Fórum Nacional de Imigração (NIF) e o Instituto Manhattan, que exigem do presidente mais investimento pessoal e de capital político para conseguir a reforma migratória."Não são necessárias mais discussões, é hora de começar o trabalho a sério. Pedimos ao presidente que sua visita a Yuma seja o ponto de partida" para que o Congresso aprove a reforma este ano, afirmou a NIF em comunicado.Os ativistas rejeitam um plano migratório que a Casa Branca está elaborando junto com líderes republicanos, o que levou milhares de manifestantes às ruas no sábado, em Los Angeles (Califórnia).Entre outros elementos desse plano, cada imigrante ilegal teria que pagar US$ 13.500 para os trâmites da residência permanente, e não poderia tramitar vistos para seus parentes.

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