Bush visita Índia para tentar fechar acordo nuclear

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou nesta quarta-feira à Índia para discutir um possível acordo nuclear entre os dois países. Mas foi recebido com uma grande onda de protestos composta por milhões de indianos. Bush, cujos compromissos oficiais começam amanhã, chegou à capital indiana às 19h40 (11h10 em Brasília) após uma escala não anunciada de quatro horas no Afeganistão, onde se reuniu com o presidente Hamid Karzai. Os manifestantes em Nova Délhi entoavam "morra Bush", enquanto muçulmanos do sul da cidade de Hyderabad fizeram uma representação do enterro do presidente americano, evento seguido pela maioria dos indianos da região. O acordo nuclear entre os Estados Unidos e a Índia é considerado uma peça fundamental para uma possível parceria entre as duas nações. Mas os negociadores dos dois países têm encontrado dificuldades, como a separação entre as usinas nucleares indianas civis das militares. Na Índia, essa diferença quase não existe. Bush chamou o encontro de um pacto a respeito de um "problema muito difícil" entre os dois governos. "Esperamos chegar a um acordo, e se não o conseguirmos agora continuaremos a trabalhar visando tal objetivo", disse o presidente americano. Dezenas de protestos foram planejados por líderes islâmicos e políticos comunistas durante os três dias de visita de Bush. Já o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, colocou o protocolo de lado e foi receber o presidente americano, a primeira dama, Laura Bush, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, no aeroporto. Autoridade dos EUA e da Índia esperavam fechar o acordo nuclear antes da chegada de Bush, mas discussões a respeito de quais centros nucleares deveriam ser colocados sob salvaguarda internacional amarraram as discussões. O pacto irá permitir que os EUA exportem tecnologia e combustível nuclear para Índia, que necessita desesperadamente dessa ajuda para gerar energia. Em troca, a Índia deixará que suas instalações de energia nuclear civis sejam abertas para inspeções. Separar os programas nucleares civis dos militares é a chave para o acordo, pois os EUA só concordam em reconhecer a Índia como uma nação que dá preferência à energia nuclear civil. O acordo, que deverá ser concluído em julho, precisa ser aprovado pelo Congresso americano, onde alguns membros reclamam que o pacto colocará a Índia dentro do Tratado de Não-proliferação Nuclear, pacto não assinado por Nova Délhi. Alguns cientistas indianos também se preocupam com o acordo com os americanos, pois com ele o programa nuclear indiano seria prejudicado. Singh, entretanto, pediu que a segurança nacional não seja sacrificada pelo tratado. Rice disse que o Paquistão, vizinho da Índia e seu rival nuclear, não terá o mesmo tratamento dispensado a Índia na questão nuclear. Bush visitará o país no próximo sábado. Tanto Bush como seu Governo insistiram em que a relevância da visita vai além do acordo nuclear. Após encontrar Singh, Bush deve se reunir com líderes religiosos e com Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso, o principal na coalizão de governo, e com o líder da oposição, Lal Kishenchand Advani. Na sexta-feira, o governante irá a Hyderabad, um dos focos do "boom" tecnológico indiano, para visitar a Universidade Agrícola e conversar com jovens empresários do país.

Agencia Estado,

01 Março 2006 | 16h08

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