Bush volta a intimar Taleban para entregar Bin Laden

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, voltou a alertar o governo do Afeganistão para que entregue imediatamenteo milionário saudita Osama Bin Laden, suspeito pelos ataques de 11 de setembro. "O Taleban precisa agir já, entregar os terroristas ou compartilhar sua sorte", disse em discurso no Congresso, nesta quinta-feira, onde foi muito aplaudido.O presidente disse que seu país devotará ?todos os recursos sob nosso comando, todos os meios diplomáticos, todas as ferramentas legais e de inteligência, toda a nossa influência financeira e todas as armas de guerra que forem necessárias para desbaratar e derrotar a rede global do terror?.Aviso ao mundoEle pediu aos militares para ?estarem prontos?, ao povo para manter ?a calma e a determinação? e aos governos ao redor do mundo para fazer uma escolha: ?ou vocês estão conosco ou vocês estão com os terroristas?. Falando perante uma sessão conjunta do Congresso, nove dias depois dos ataques terroristas que destruíram o World Trade Center, em Nova York, destroçaram uma parte do quartel-general das forças armadas, em Washington, deixaram um número de mortos já estimado em mais de 6.500, e provocaram enormes danos à economia, Bush chegou perto de fazer uma declaração formal de guerra.AssassinatosEle deixou claro que o regime do Taleban, do Afeganistão, é tão inimigo dos EUA quanto a Al Qaeda, ou ?Base?, a rede terrorista que protege e fomenta. Bush disse que seu país respeita o povo do Afeganistão e lembrou que os EUA são hoje sua maior fonte de ajuda humanitária. ?Mas ao ajudar e incitar os assassinatos, o regime do Taleban comete assassinatos?.O discurso de Bush veio depois de vários dias de declarações confusas e por vezes conflitantes que ele e alguns de seus ministros fizeram sobre a natureza do conflito subitamente imposto ao país. Ele começou lembrando que normalmente o presidente comparece perante o Congresso somente uma vez por ano, para fazer o discurso sobre o estado da União.ViúvaDisse que não precisava falar sobre isso porque o povo norte-americano já havia se pronunciado com sua reação aos ataques terroristas. Como exemplo, apresentou ao plenário repleto Lisa Beamer, viúva de Todd Beamer.Segundo relatos da imprensa baseados em telefonema que Beamer fez à mulher depois do sequestro já iniciado, ele disse que resistiria aos terroristas ao saber o que tinha acontecido no World Trade Center e teria provocado a queda do avião na Pensilvânia, antes que ele atingisse mais um alvo, provavelmente em Washington.Ira?Hoje somos uma país despertado pelo perigo e chamado a defender a liberdade?, afirmou Bush. ?Nossa dor transformou-se em ira e nossa ira em determinação: nós traremos os nossos inimigos à justiça ou levaremos a justiça aos nossos inimigos, mas a justiça será feita?.O presidente norte-americano disse que os terroristas que cometeram o maior ataque contra o território os EUA - provocando um número de vítimas que já é ultrapassa o de todos os norte-americanos que morreram lutando nos seis anos da Guerra de independência do país, no século 18 ? ?são herdeiros das ideologias assassinas do século 20 e seguem o caminho do fascismo, do nazismo e o totalitarismo e seguirão tal caminho até o fim, às tumbas anônimas das vidas descartas?.ÓdioBush procurou responder a algumas das perguntas que os norte-americanos, ainda traumatizados, se fazem sobre a fonte do ódio aos EUA dos autores dos ataques, dizendo que os terroristas tem pavor da liberdade e da democracia. Ele também procurou mobilizar o país explicando contra quem o país lutará. ?O inimigo da America não são os nosso muitos amigos muçulmanos, não são os nossos muitos amigos árabes?, disse. ?Nosso inimigo é a rede radical de terroristas e cada governo que a apóia?.No plenário, sentado ao lado da primeira-dama laura Bush, toda de negro, estava o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Balir, que veio a Washington especialmente para mostrar a solidariedade de seu país aos EUA. ?Os Estados Unidos não tem nenhum parceiro maior e melhor do que a Inglaterra?, disse Bush, levando a platéia a levantar-se para aplaudir Blair.O presidente norte-americano agradeceu as manifestações de apoio que recebeu de muitos países do mundo e disse que a luta contra os terroristas não é apenas dos EUA, mas ?de todo o mundo?.Ministro da segurançaComo medida para prevenir novos ataques, Bush anunciou a criação de um cargo ministerial encarregado da segurança interna e nomeou o governador da Pensilvânia, Tom Ridge, para ocupar a nova função. Ao concluir o discurso, Bush apelou para uma frase dramática para definir sua iniciativa de represália contra o terrorismo: "Sabemos que Deus não é neutro." E prosseguiu: "Enfrentaremos a violência, seguros como estamos da justiça de nossa causa e confiantes na vitória que está por vir. Deus proteja os Estados Unidos da América."

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