Bustani aguarda parecer para assumir embaixada em Londres

O embaixador José Maurício Bustani, atualmente sem cargo no Itamaraty, aguarda o "agrèment" do Reino Unido, ou seja, o acordo do governo daquele país, para que, uma vez concedido, seja encaminhado ao Congresso Nacional para a aprovação definitiva de seu nome para a embaixada do Brasil em Londres. Caso o nome de Bustani não seja aceito pelos britânicos, existe a possibilidade de uma troca na embaixada na Áustria, onde está, há quase 1 ano, o embaixador Roberto Abdenur.A indicação de José Maurício Bustani para a embaixada do Brasil no Reino Unido não foi confirmada pelo Itamaraty, mas uma porta-voz do Foreign Office confirmou ao correspondente em Londres da Agência Estado, João Caminoto, na semana passada, que o pedido de "agrèment" do novo embaixador brasileiro já foi apresentado, e "está seguindo os trâmites normais".Confirmação de Bustani é duvidosaAs reservas do governo brasileiro justificam-se, porque Bustani foi afastado da direção da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), em abril do ano passado, por pressão dos Estados Unidos, com apoio óbvio do Reino Unido. Na época, a saída do embaixador brasileiro da Opaq foi decidida por 48 votos contra sete a favor (Brasil, Cuba, China, Rússia, México, Irã, Bielo-Rússia) e ainda, 43 abstenções, a maioria de países latino-americanos.Oficialmente, o governo dos Estados Unidos responsabilizou Bustani pelos problemas financeiros da entidade, mas nos bastidores sabia-se que os EUA eram contra a orientação do embaixador brasileiro, defensor da inclusão de países como Iraque e Líbia na Opaq, contrariando os interesses norte-americanos. Após sua destituição, Bustani ocupou provisoriamente o posto de cônsul-geral do Brasil em Londres, mas acabou afastado. Chocou-se com o ex-chanceler Celso Lafer, ao acusá-lo repetidas vezes de não ter movido uma palha para impedir o impasse da Opaq.Ao lado do atual embaixador do Brasil na Áustria, Roberto Abdenur, o então embaixador no Reino Unido e atual chanceler, Celso Amorim, foi um dos poucos a manifestar diretamente a Lafer seu apoio a Bustani, de quem igualmente é amigo de longa data.Fontes diplomáticas revelam que Abdenur teria demonstrado interesse em assumir a embaixada do Brasil em Londres, o que indicaria a possibilidade, no caso do nome de Bustani não ser aceito pelo Reino Unido. O processo em trâmite não tem prazo para a resposta, o que poderá significar também que o governo britânico simplesmente retarde a concessão do "agrèment" e com isso, o governo brasileiro decida propor outro nome.Abdenur, de 60 anos, foi embaixador em Quito (Equador-1985 e 1988) e em Pequim (China- 1989 e 1993). Em outubro de 1995 assumiu em Bonn, então capital, a cadeira de embaixador do Brasil na Alemanha, transferindo-se para Berlim, em 2000. Desde março do ano passado, está à frente da embaixada do Brasil na Áustria e, com ela, assume também as relações políticas com Croácia, Eslovênia e Eslováquia.

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