Busto de príncipe dinamarquês foi vandalizada em Goiás

O busto do príncipe Frederik, herdeiro do trono da Dinamarca, ornamentou por três meses a única praça do povoado de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros (GO), a cerca de 250 quilômetros de Brasília. Inaugurado durante festa promovida pela Embaixada da Dinarmarca, em 14 de julho de 2001, com farta distribuição de cerveja dinamarquesa e camisetas com a fotografia de Frederik, o busto sucumbiu três meses depois à rebeldia de metade dos "súditos" da vila de 500 habitantes, que nunca o aceitou. Hoje, repousa no canto de uma sala da delegacia de polícia de Alto Paraíso, onde corre o inquérito para saber quem é que tirou a cabeça do pedestal e a arremessou no fundo de um córrego lamacento. Em 1999, o príncipe fez um passeio de cerca de 10 dias pelas paisagens mais belas do Parque da Chapada dos Veadeiros. Para receber convidado tão nobre, a direção do parque abriu até lugares onde o acesso é proibido aos plebeus, como uma cachoeira conhecida por Carrossel. Gratificado, o príncipe doou US$ 12 mil para a construção de uma praça no povoado. Mas o povo rachou. De um lado, os nativos, quase todos oriundos de velhos projetos de garimpo, encantaram-se com o vizinho nobre e com a possibilidade de, enfim, terem uma praça; de outro, novatos que chegaram para montar pousadas ou hippies que se mudaram para a vila, tão logo ela começou a receber turistas, rechaçaram a presença do príncipe. Não aceitavam nem mesmo o busto. A briga recrudesceu quando a artista plástica Mara Nunes apresentou seu projeto: para que os olhos do príncipe ficassem voltados para o nascer do sol, o pedestal seria erguido exatamente num local onde havia um pé de ingá, árvore muito comum no cerrado. Os protestos começaram. Um grupo cercou a planta e conseguiu mantê-la de pé por um dia. À noite, quando a vigilância cessou, o ex-garimpeiro Valdir Carlos da Silva arrumou alguns parceiros, apanharam machados e, em poucos minutos, o ingá estava no chão. Os contrários guardaram a vingança para depois e usaram o mesmo estratagema: quando ninguém mais vigiava o busto do príncipe, puseram-no abaixo e o jogaram no fundo de um córrego.

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