Antoine Poupel/Efe
Antoine Poupel/Efe

Cabaré parisiense tem primeira greve em 60 anos

Bailarinas do Crazy Horse querem melhores condições de trabalho e salários maiores

Daniela Fernandes, BBC

16 Maio 2012 | 16h21

PARIS - Pela primeira vez em sua história, as dançarinas do famoso cabaré parisiense Crazy Horse, fundado há 60 anos, entraram em greve para exigir aumentos salariais.

Os espetáculos da terça-feira, 15, e desta quarta-feira, 16, foram cancelados.

As bailarinas profissionais afirmam trabalhar 24 dias por mês e receber salários que não correspondem à carga de trabalho. Elas se apresentam seis vezes por semana, em dois espetáculos diários, e ainda há o período de ensaios.

"O Crazy Horse não é um cabaré qualquer. É um lugar excepcional, onde o show é totalmente nu. Essas particularidades não são levadas em conta no nosso pagamento", afirmou uma dançarina, identificada apenas como Suzanne, em entrevista a uma rádio francesa. Sem indicar os valores, ela afirma que os salários são "lamentáveis".

Segundo Liv, nome artístico de outra bailarina do Crazy Horse, o salário líquido das dançarinas é de 2 mil euros (cerca de R$ 5 mil). "O ritmo é muito intenso, se contarmos as horas de ensaios, aquecimento e maquiagem integral. Começamos por volta das 13 horas e voltamos para casa às 2 horas da manhã", afirmou à revista Nouvel Observateur.

"Dançar nua merece um salário melhor. Moralmente e fisicamente é muito diferente dos outros cabarés parisienses", afirma Liv, que gostaria de obter ainda "mais respeito e consideração" por seu trabalho.

Diferentemente de outros cabarés célebres em Paris, como o Moulin Rouge, as artistas do Crazy Horse dançam totalmente nuas, usando apenas alguns acessórios.

Elas podem dançar também com o corpo "decorado" por uma sofisticada iluminação cênica, que cria diferentes efeitos visuais na pele das bailarinas, como por exemplo o desenho das manchas de uma onça ou grafismos variados.

Sofisticação

Apesar das cenas de nu, o espetáculo não é tido como vulgar. A produção do show - desde o cenário, luzes, coreografias e luxuosos acessórios de moda utilizados - é voltada para criar um efeito de sensualidade.

No espetáculo atual, chamado Désirs (desejos, na tradução literal), os sapatos usados pelas dançarinas são da grife de luxo Christian Louboutin, cujos modelos custam, em geral, várias centenas de euros.

Situado na avenida George V, próxima à Champs-Elysées, o Crazy Horse é considerado uma casa de espetáculos sofisticada. O ingresso mais barato, para assistir ao show em pé no bar, custa 85 euros (R$ 216). Ingressos com cadeira e direito a champanhe e salgadinhos custam entre 125 e 165 euros (R$ 318 e R$ 419).

As bailarinas afirmam, segundo a imprensa francesa, que a direção do Crazy Horse estaria recusando ou tentando adiar qualquer negociação salarial.

A casa de espetáculos informou em um comunicado que "negociações estão em andamento há meses para melhorar os salários dos funcionários do Crazy Horse e sobretudo das dançarinas".

Além de ser bailarina profissional, também é necessário, para integrar o show, passar por um rigoroso exame de seleção que envolve critérios físicos, como altura, peso e tamanho dos seios, para que toda a equipe tenha as mesmas dimensões corporais.

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