Cabello espera que Chávez seja solto nas próximas horas

O novo presidente interino da Venezuela, Diosdado Cabello, anunciou que espera a volta de Hugo Chávez à chefia do governo para definir sobre uma eventual convocação de eleições gerais. Cabello confirmou que Pedro Carmona, o agora deposto presidente de fato, "está detido". "Esperamos que Chávez seja libertado hoje mesmo para que reassuma seu cargo e tome as decisões pertinentes", disse. "Se da análise que faremos for concluído que temos que ir para as eleições, o faremos. Mas devemos falar com o presidente Hugo Chávez para decidir", explicou. Em entrevista à colombiana Rádio Caracol, o presidente constitucional apelou "à prudência e sentido comum" dos venezuelanos e agradeceu "aos povos do mundo" e aos meios de comunicação internacionais pela divulgação "do que estava ocorrendo na Venezuela". Em relação aos meios de comunicações locais, ele criticou que "aqui houve censura". "Foi recuperada a institucionalidade na Venezuela", afirmou Cabello. Sobre a suposta censura nos meios de comunicação locais, ele disse que os venezuelanos não sabiam "que houve uns 40 mortos nas ruas pelos mesmos que balearam as pessoas em 11 de abril". Cabello garantiu que Chávez não ordenou a repressão: "O presidente jamais ordenaria às Forças Armadas para disparar contra o povo". "Recuperamos a institucionalidade sem disparar um só tiro, com o povo. Nós não entramos com os tiros, entramos com os mortos. Sempre temos entrado com os mortos", lamentou Cabello. "O golpe de Estado foi orquestrado entre poderes econômicos e os meios de comunicação", acusou o presidente interino. "Basta ver a imprensa hoje para se saber quem foram os responsáveis por essa manobra". Ele prometeu respeitar os direitos humanos dos golpistas. "Existem pessoas que empurraram o ódio, a discriminação, que não devem ter espaço nas Forças Armadas, mas não vamos cometer o erro de promover uma destruição como ocorreu em 11 de abril na Venezuela". "Os meios de comunicação têm de assumir sua responsabilidade pelo que ocorreu aqui nos últimos dias", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.