Caça a Bin Laden terá combates à curta distância

O perito militar americano, Alexander Somoda, membro de tropas de assalto e veterano de combates no Panamá e no Iraque, explica as normas para a investida contra uma caverna: lance um ataque rápido e violento, mantenha o inimigo em desequilíbrio, use equipes de quatro homens e avance rapidamente de um compartimento para outro. De acordo com ele, são essas as táticas que provavelmente serão usadas pelos comandos dos Estados Unidos e membros das forças afegãs anti-Taleban que avançam na direção de Tora Bora e outros complexos de túneis e cavernas onde se suspeita que Osama Bin Laden e outros membros da Al-Qaeda estejam escondidos."Tentamos confiar na rapidez", diz o perito, que é 1º sargento do Exército, e que atualmente ministra treinamento a tropas de infantaria em táticas de combate urbano em Fort Lewis, Washington. "A intenção é atingi-los duramente, fazê-los cair de joelhos." Enquanto expõe as táticas de um ataque, ele adverte que é necessário estar prevenido contra armadilhas dentro das cavernas, e preparado para sofrer baixas - é difícil errar quando os homens estão armados e disparando à queima-roupa."Quando o inimigo é muito esperto, não se escapa de sofrer algumas baixas, a certa altura", enfatiza Somoda. Cerca de 1.500 combatentes tribais afegãos, ajudados por forças de assalto americanas, estão avançando por um vale, perto do complexo de Tora Bora, nas Montanhas Brancas, ao sul de Jalalabad."Não está claro até que ponto são detalhadas as instruções sobre combates a curta distância transmitidos pelas forças dos EUA, mas esse é um dos tópicos que os Boinas Verdes são treinados para transmitir", disse o porta-voz das Forças Especiais do Exército, major Gary Colb.EscuridãoGrande parte da superioridade americana em termos de alta tecnologia seria perdida na eventualidade de ser desfechado um ataque direto contra as cavernas, sem apoio aéreo, sem computadores, sem a ajuda de satélites. As cavernas são escuras demais para que os óculos especiais para visão noturna possam ser eficientes; os soldados devem depender de lanternas adaptadas às suas armas para enxergar.Para alguns especialistas, aguardar que os membros da Al-Qaeda saiam das cavernas é a melhor linha de ação. "Eles devem fazer um cerco, em vez de lutar pela conquista de cada centímetro - isso não vale a pena," disse Ali Jalali, ex-coronel afegão, que lutou ao lado dos mujahedin contra a União Soviética.Uma companhia do Exército - cerca de 150 soldados - será destacada para um complexo de cavernas. Depois de derrotar soldados que estiverem de guarda, a unidade deverá isolar as entradas, para evitar fugas e a entrada de reforços.Do lado de fora, soldados armados com morteiros, metralhadoras pesadas e fuzis de mira telescópica lutariam contra quaisquer forças inimigas que se aproximassem. Depois, o resto da equipe começaria a entrar, esquadrão por esquadrão.Uma esquadra de nove homens avançaria para uma determinada parte das cavernas. A maioria estaria usando uma versão menor do fuzil de assalto M-16. Dois soldados da cavalaria teriam fuzis automáticos pesados, com magazines contendo 200 cartuchos completos. Outros dois operariam disparadores de granadas adaptados aos fuzis. Os comandos de operações especiais também estariam armados com espingardas.ArmadilhasSomoda esclareceu que o objetivo seria avançar rapidamente e impedir que o inimigo se organizasse. Mas, à medida que os grupos fossem avançando, se arriscariam a acionar alguma armadilha oculta - provavelmente um fio ligado a um gatilho, que lançaria uma granada.Ele aconselha os soldados da cavalaria a permanecerem alertas, observando tudo que atraía o seu olhar. "Se alguma coisa chamar sua atenção," recomenda, "olhe bem à sua volta."Leia o especial

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