Caças franceses sobrevoam Líbia e coalizão inicia ação militar no país

Países da coalizão ocidental e árabe dizem que derrubarão caças líbios se ataques não acabarem e avião de patrulha aliado atinge veículo militar Em Brasília, Obama diz que EUA estão prontos para agir contra Kadafi Apesar de cessar-fogo, Benghazi é atacada

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

Os países da coalizão ocidental e árabe contra o ditador líbio, Muamar Kadafi, liderados por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, anunciaram ontem que vão derrubar os caças da Líbia e atingirão tanques no solo caso os ataques às populações civis não cessarem. Caças franceses já patrulham o espaço aéreo líbio e um deles atirou num veículo militar.

A declaração foi feita pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, ao término de uma reunião da União Europeia, da Liga Árabe e dos Estados Unidos realizada na tarde de ontem, no Palácio do Eliseu, em Paris. Na prática, o anúncio representa o início das operações militares estrangeiras em território líbio.

Além de Sarkozy, o encontro reuniu em Paris a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, além de chefes de Estado e de governo da Alemanha, da Espanha, da Itália, da Bélgica, e de países-membros da Liga Árabe.

O encontro em Paris começou às 13h30 e teve pouco mais de duas horas de duração. Ao término da reunião, coube ao presidente francês o anúncio.

"Juntos, nós decidimos assegurar a aplicação da resolução do Conselho de Segurança", afirmou Sarkozy. "Neste momento, nossos aviões impedem os ataque aéreos sobre a cidade de Benghazi. Neste momento, outros aviões franceses estão prontos para intervir contra blindados que ameaçam civis desarmados."

Segundo o presidente francês, os países da coalizão decidiram valer-se "de todos os meios necessários, em particular os militares", para fazer respeitar a decisão tomada pela ONU na noite de quinta-feira. "Em acordo com nossos parceiros, nossas forças aéreas se oporão a toda agressão de aviões de Kadafi contra a população de Benghazi."

O grupo de países, entretanto, ainda fez um sinal político, oferecendo espaço para discussões diplomáticas com o regime líbio. "Ainda é tempo para o coronel Kadafi evitar o pior, conformando-se imediatamente com todas as exigências da comunidade internacional", disse Sarkozy, completando: "A porta da diplomacia se reabrirá no momento em que as agressões cessarem".

Advertências. De acordo com o presidente francês, Kadafi está subestimando as advertências feitas nas últimas horas ao manter os ataques, e até intensificando-os, na cidade de Benghazi - a segunda maior da Líbia e principal reduto da oposição ao regime do ditador líbio.

Sarkozy evocou a "consciência universal", afirmando que a comunidade internacional não vai tolerar crimes, mas deixou claro que a intervenção militar estrangeira busca apenas equilibrar as forças no campo bélico e impedir novos massacres, mas não derrubar o governo.

"Estamos apenas protegendo a população civil da loucura assassina de um regime que, ao matar seu próprio povo, perdeu toda legitimidade", ponderou o líder francês. "O futuro da Líbia pertence aos líbios. Nós não queremos decidir em seus lugares."

Em Brasília, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que seu país está preparado para "atuar rapidamente" para proteger a população líbia dos ataques do regime de Kadafi.

A decisão dos países-membros da coalizão, que conta ainda com suporte militar do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, da Espanha, da Bélgica e do Canadá, começou a ser posta em prática no mesmo instante.

Momentos antes do discurso de Sarkozy, o Estado-maior das Forças Armadas da França confirmou que aviões de caça Rafale da aeronáutica já patrulhavam o espaço aéreo líbio. Os aviões decolaram da base de Saint-Dizier, na França, para "missões de reconhecimento". Segundo informações oficiais, os caças não enfrentaram nenhuma resistência da Líbia. A coalizão já tem planos de ataques preparados para atingir bases aéreas e aeroportos em torno das principais cidades do país. À primeira missão da França, devem se seguir nas próximas horas patrulhas da Grã-Bretanha, do Canadá e dos EUA.

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