Caças, mísseis e boa comida a bordo do poderoso CVN73

A clava forte que o presidente Barack Obama mandou para o Mar Amarelo com a missão de defender a Coreia do Sul e tirar da Coreia do Norte a vontade de agredir o vizinho é uma das maiores e mais impressionantes e sofisticadas máquinas de guerra do planeta.

Cenário: Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

Líder de um grupo de batalha, grande como três campos de futebol, duas vezes mais alto que a estátua do Cristo Redentor e poderoso como nenhum outro, o porta-aviões USS George Washington vai ficar ao largo da costa sul-coreana, abaixo do Paralelo 38, que divide o território desde 1953. A bordo, leva a frota regular de até 90 aviões, mais bombas inteligentes e mísseis diversos. É provável que disponha de um certo arsenal atômico. Nunca admitido - e nem desmentido.

O gigante é bem protegido. O espaço aéreo em torno da força-tarefa é declarado área especial de defesa e de exclusão. Eventualmente esse circulo proibido pode chegar a mais de 400 km. Caças F-18 cuidam desse limite e dos ataques, coordenados por aviões radar EC-2. Informação classificada, o CVN73, deve estar com sua tripulação completa, 5.680 militares; 3.200 tripulantes da Marinha, e 2.480 da aviação embarcada. Fora das áreas de tensão esse número cai para cerca de 3 mil homens e mulheres. O movimento é considerado um exercício real - as operações serão tratadas como ensaios, mas vão envolver armamento ativo.

Antes da mobilização, ancorado no Porto de Yokosuda, no Japão, o George Washington preparava uma folga especial de três dias para dois terços do pessoal. O George Washington navega acompanhado de dois cruzadores lança-mísseis, duas fragatas classe Aegis - antiaéreas - e um navio antissubmarino. Durante a missão geralmente é agregado ao grupo um submarino de ataque. O comandante do conjunto é um contra-almirante.

O principal inimigo é a Força Aérea adversária mas, no caso de Pyongyang, o perigo é relativo. Os esquadrões de caça mais modernos são, equipados com velhos caças russos MiG-25, com 25 anos de uso, e MiG-29, pouco mais novos cumprem 22 horas por ano de voo de treinamento. Os americanos, fazem dez vezes mais, 220 horas em média. E, claro, acham pouco.

O CVN73 integra uma classe de dez porta-aviões de propulsão nuclear iniciada em 1975 com o recebimento do USS Nimitz. O último é o CVN77 George Bush, entregue em 2009 pelo fabricante, o Newport Shipbuilding. Depois, virá a série CVN21, um modelo discretamente menor, pouco mais leve, mais veloz e de mais poder de fogo. A primeira unidade fica pronta em 2014.

Cada navio tem prefeito, academia de ginástica, salão de beleza, várias capelas, centro cirúrgico com quatro salas, lojas, emissora interna e televisão e refeitórios que funcionam 24 horas. De rotina, aparecem no cardápio caranguejos gigantes e imensas bistecas, vindas do Texas a intervalos regulares. Em dia de combate, a boa comida é um estímulo.

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