Caçula de Kim terá cargo de comando militar

A nomeação ontem do filho caçula do ditador Kim Jong-il como general de quatro estrelas, vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores e um artigo publicado no jornal oficial da Coreia do Norte na segunda-feira indicam que o militarismo continuará a ser ideologia dominante do país, mesmo na hipótese de troca em seu comando.

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

Na véspera da abertura do primeiro congresso do Partido dos Trabalhadores em 30 anos, o Rodong Sinmun, publicação que é porta-voz do governo, veiculou texto no qual afirma que a Coreia do Norte continuará a ser governada segundo os princípios da primazia do Exército em relação a todos os outros setores da sociedade e de autossuficiência em relação ao mundo exterior.

Sua nomeação como general e vice-presidente da Comissão Militar Central é a mais forte indicação até agora de que Kim Jong-un, de 27 anos, é o escolhido para ser o futuro líder da Coreia do Norte dentro do totalitarismo hereditário criado por seu avô, Kim Il-sung (1912-1994), o fundador e primeiro dirigente do país.

O nome de Kim Jong-un apareceu pela primeira vez na imprensa oficial norte-coreana ontem, no anúncio de sua nomeação como general de quatro estrelas, com outras cinco pessoas, entre elas sua tia Kim Kyong-hui, de 64 anos. Irmã de Kim Jong-il, Kim Kyong-hui é uma poderosa e ativa figura dentro do sistema político da Coreia do Norte e é vista como uma espécie de tutora do sobrinho Kim Jong-un.

Diretora do departamento responsável pela indústria leve do país, Kim Kyong-hui é casada com Jang Song-taek, vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa, considerado o segundo homem mais poderoso do país.

O anúncio da promoção de Kim Jong-un a vice-presidente da Comissão Militar Central foi feito logo após a abertura do primeiro congresso do Partido dos Trabalhadores em 30 anos, convocado com a tarefa explícita de eleger a "liderança suprema" da Coreia do Norte.

Apesar de ser o sucessor escolhido por Kim Jong-il, é pouco provável que Kim Jong-un assuma o controle do país antes da morte de seu pai. A exemplo do que ocorreu com o atual ditador, ele deverá ser nomeado para postos cada vez mais relevantes até chegar ao comando da Coreia do Norte, se tudo correr como planejado por seu pai.

A grande incógnita que cerca o congresso diz respeito à possibilidade de aprovação de reformas econômicas, com o objetivo de amenizar o isolamento internacional da Coreia do Norte e promover alguma forma de crescimento no empobrecido país.

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