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Cada país faz o que dá na telha

27 nações adotaram normas para evitar excesso de gastos desde os anos 80

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2016 | 04h00

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) classificou no ano passado 31 regras distintas para disciplinar os gastos do governo, adotadas por 27 países desde os anos 1980. O mais eficaz, garante o FMI, é estipular no orçamento o teto de despesas como um valor fixo. Regras do tipo foram cumpridas em 90% dos casos. Em seguida, os melhores métodos envolvem limitar os gastos a um porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) ou atrelar seu crescimento ao do PIB. Foram cumpridos 66% das vezes. O princípio menos eficaz é justamente o adotado pela PEC 241: limitar a alta dos gastos de acordo com um indexador. Foi descumprido 60% das vezes. Numa delas, a Croácia usou, mas depois teve de abandonar, uma ideia parecida com a sugestão do economista Delfim Netto feita em 2005 para o Brasil: zerar o déficit nominal – conta que subtrai das receitas todas as despesas do governo (incluindo os juros), naquela época em torno de 3% do PIB brasileiro, mas que já estão em 9%. Se adotada em 2005, a PEC 241 teria zerado esse déficit em apenas dois anos, de acordo com uma simulação do Instituto Mercado Popular. Delfim falava em cinco anos, ideia defendida pelo então ministro Antônio Palocci e apoiada até pelo PSDB no Congresso. Na época, Palocci foi derrotado pela corrente liderada pela então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e, dali em diante, ninguém mais falou no assunto. Resultado: a PEC 241 precisa ser hoje ainda mais dura.

Utah pode decidir a eleição nos EUA?

Terra do candidato derrotado Mitt Romney, Utah pode reservar uma surpresa aos americanos. Ex-agente da CIA, também mórmon, 40 anos, o candidato independente Evan McMullin tem se beneficiado da insatisfação no Estado, tradicionalmente republicano, com Donald Trump e Hillary Clinton (foto). Nas últimas pesquisas, McMullin subiu e já aparece com mais de 20%. Num cenário de eleição apertada, pode levar os seis votos de Utah e forçar um impasse no Colégio Eleitoral. A eleição seria então decidida pela Câmara.

Voluntários do Twitter versus ‘Associated Press’

A apuração nos EUA será seguida por voluntários reunidos, pelo Twitter, no grupo Decision Desk HQ. Especializados em coleta e processamento de dados, eles já atuaram em 2014 e acreditam ser possível vencer a agência Associated Press na corrida para divulgar os resultados das urnas. O BuzzFeed fechou parceria com o grupo.

Por que somos vulneráveis a mentiras?

Como explicar que tantos acreditem em teorias conspiratórias das redes sociais ou nas mentiras de políticos como Trump ou Hillary? A resposta nada tem a ver com educação ou nível intelectual. Mecanismos psíquicos e emocionais regem a credulidade, segundo o recém-lançado Denying to the grave: why we ignore the facts that will save us (Negando até a morte: por que ignoramos os fatos que podem nos salvar), de Jack e Sara Gorman.

Os primeiros a defender o Nobel para Dylan 

Dois acadêmicos se sentiram vingados com o Nobel de literatura para Bob Dylan: o crítico Christopher Ricks, ex-professor das universidades de Boston e Oxford (cuja coleção tem 1700 gravações de Dylan), e Gordon Ball, especialista em poesia beat que, em 1996, foi o primeiro a indicar Dylan ao Nobel (e voltou a fazê-lo depois). “Na nossa era, Bob Dylan (foto) ajudou a devolver a poesia, a sua transmissão primordial pelo fôlego humano; ele reviveu as tradições de bardo, menestrel e trovador”, escreveu Ball.

Depois de Dylan, Leonard Cohen?

Ambos têm pendor literário. Entoam, mais que cantam. Nasceram judeus e gostam de imagens bíblicas. Foram descobertos pelo mesmo produtor. Assim, David Remnick compara, na New Yorker, Dylan ao cantor canadense Leonard Cohen. Diferenças? Cohen tem mais voz. Dylan, outros talentos. Num encontro, perguntou ao amigo quanto tempo levara para compor Hallelujah. “Dois anos”, disse Cohen (na verdade, cinco). Cohen quis então saber em quanto tempo Dylan compusera I and I. Dylan não titubeou: “Uns 15 minutos”.

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