Morten Stricker/Ritzau Scanpix/via REUTERS
Morten Stricker/Ritzau Scanpix/via REUTERS

Cadáveres de visons mortos por coronavírus na Dinamarca ressurgem na superfície e serão queimados

Fenômeno estaria ligado ao processo de decomposição dos visons, que foram enterrados em condições inapropriadas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 11h19
Atualizado 27 de novembro de 2020 | 18h13

COPENHAGUE — Depois de sacrificar mais de 10 milhões de visons após a detecção de uma variante do novo coronavírus que poderia prejudicar a eficácia de vacinas, a Dinamarca enfrenta um novo problema envolvendo os pequenos mamíferos cuja pele é usada na produção de casacos e outras peças de vestuário. 

Vários animais mortos e enterrados ressurgiram sob os efeitos dos gases de decomposição. O fenômeno ocorreu em um terreno militar perto de Holstebro, no oeste dinamarquês, em uma das fossas improvisadas onde os visons sacrificados foram enterrados. Agora, o governo dinamarquês afirma que está disposto a exumar e queimar os cadáveres.

"Tive vontade de me livrar dos visons e queimá-los desde o primeiro dia em que ouvi falar do assunto", disse o novo ministro da Agricultura, Rasmus Prehn, à televisão pública TV2, nesta sexta-feira, adotando a postura da maioria dos partidos do Parlamento.

No início de novembro, a Dinamarca anunciou que iria sacrificar 17 milhões de visons, devido a uma mutação problemática do coronavírus transmitida por esses animais, que poderia, segundo estudos preliminares, ameaçar a eficácia da futura vacina para os humanos.

Os cadáveres dos visons, que apareceram na superfície devido à pressão acumulada dos gases de decomposição, estão cobertos apenas por uma fina camada de calcário e de uma terra muito arenosa, o que teria facilitado o fenômeno, segundo a polícia local. O Ministério do Meio Ambiente e da Agricultura da Dinamarca afirmou em um comunicado que os visons estão enterrados entre um metro e meio e dois metros abaixo do solo.  

Mas, segundo a DR, os cadáveres estavam apenas a um metro de profundidade neste terreno. Para a pasta, o reaparecimento dos cadáveres é "um problema temporário ligado ao processo de decomposição dos animais". "O Estado brinca com a nossa natureza e a usa como um aterro sanitário", lamentou Leif Brogger, um conselheiro municipal de Holstebro, citado pelo jornal Jyllands-Posten.

Riscos ambientais

Os animais que ressurgiram foram enterrados a 200 metros de um lago, ou seja, 100 metros a menos que o recomendado, levantando preocupações sobre problemas de poluição por fósforo e nitrogênio, o que as autoridades prometeram resolver.

Os políticos temem que a decomposição das carcaças dos animais provoque contaminação, por fósforo e o nitrogênio, e exigem que sejam desenterradas e destruídas de outras formas - entre elas, sendo incinerados. Os gases emitidos na decomposição podem, por exemplo, contaminar a água potável e a água para banho.

Na última semana, a Dinamarca chegou a anunciar que considerava a mutação do coronavírus identificada nos pequenos mamiferos "erradicada". Com três vezes mais visons do que habitantes, o pequeno reino nórdico é o maior exportador mundial e o segundo maior criador atrás da China, com um faturamento neste setor de cerca de 670 milhões de euros (R$ 4,2 bilhões).

A decisão pelo sacrifício dos animais na Dinamarca levou à queda do ministro da Agricultura do país, Mogens Jensen, que perdeu o apoio do Parlamento. A demissão ocorreu quinze dias depois que a primeira-ministra Mette Frederiksen executou sua decisão de abater os 17 milhões de visons do país. Na ocasião, ela disse que a resposta era necessária. 

Depois disso, a ordem do governo foi apontada como ilegal. Uma tentativa apressada de montar um projeto de lei de emergência falhou, e o governo só conseguiu aprovar a legislação necessária com uma pequena maioria no início desta semana, após milhões de animais saudáveis já terem sido abatidos. A Irlanda, que também tem fazendas criadoras de visons, anunciou o abate de toda a população da espécie na semana passada. / AFP

 

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