Flavio Lo Scalzo/ANSA via AP
Flavio Lo Scalzo/ANSA via AP

Cães farejadores e guindastes ajudam equipes de resgate na busca por sobreviventes em Gênova

Trabalhadores têm esperança de que um "triângulo de sobrevivência" tenha se formado entre os escombros permitindo que haja sobreviventes; cerca de 20 pessoas continuam desaparecidas

O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2018 | 11h26

GÊNOVA - Equipes de resgate da Itália usam britadeiras e guindastes para erguer grandes pedaços de concreto que colapsaram no desabamento da Ponte Morandi, em Gênova, na esperança de encontrar sobreviventes enterrados entre os escombros do desastre da terça-feira 14, que matou ao menos 39 pessoas. Um incêndio paralisou parte das operações no início da manhã desta sexta-feira, 17, e levantou nuvens de fumaça antes de ser combatido. Acredita-se que uma faísca do equipamento de corte de metal tenha causado o fogo, que começou no local onde ficava um depósito.

Mais de 300 bombeiros trabalham sem parar desde terça-feira. Cerca de 20 pessoas ainda estão desaparecidas, disse o procurador-chefe da cidade, e as chances de encontrar sobreviventes são pequenas. Os veículos que estavam na rodovia que liga a cidade à fronteira com a França despencaram cerca de 50 metros, quando um trecho de 250 metros de comprimento desabou.

Os bombeiros, que estão utilizando cães farejadores e máquinas pesadas na busca por sobreviventes, ainda não conseguiram verificar todos os carros. "Estamos tentando encontrar pontos onde possamos penetrar o concreto. Então, o equipamento cria uma passagem, onde os cães podem entrar", disse o bombeiro Stefano Zanut. As equipes esperam que os grandes blocos de escombros possam ter criado um "triângulos de sobrevivência" quando caíram, onde alguém pode ainda estar vivo, explicou Zanut.

Funeral

Cerca de 600 pessoas tiveram que deixar seus apartamentos, abaixo da estrutura remanescente da ponte, sob a ameaça de futuros desabamentos. Os prédios serão demolidos, já que autoridades determinaram que seria perigoso mantê-los como estão. O governo disse que novas residências serão encontradas para os desalojados, embora possa demorar meses até que todos estejam devidamente abrigados.

Um funeral de Estado para muitas das vítimas será realizado no sábado, no Centro de Exposições e Comércio de Gênova. A cerimônia será liderada pelo arcebispo da cidade, cardeal Angelo Bagnasco. Também estarão presentes o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, e o presidente, Sergio Mattarella

No entanto, algumas famílias planejam boicotar o evento e realizar funerais privados, em sinal de protesto contra o que dizem ser a negligência que teria causado o colapso da ponte.

Investigações

Um estudo de engenharia encomendado pela operadora de rodovias Autostrade per l'Italia no ano passado alertou sobre o estado da ponte, de cabos revestidos por concreto, noticiaram jornais italianos. A Autostrade disse que monitora a ponte em uma base trimestral, conforme a lei exige, e realizou verificações adicionais com especialistas externos.

O governo declarou que sábado será um dia de luto nacional. O funeral do Estado será televisionado e a emissora RAI não exibirá nenhuma propaganda, em sinal de respeito pelas vítimas.

As ações da Autostrade despencaram mais de 30% nos dias após o desastre, mas começaram a se recuperar nesta sexta-feira, enquanto investidores argumentaram que as ameaças do governo de retirar a concessão podem ser muito mais retórica política do que uma provável decisão. O ministro dos Transportes deu à Autostrade 15 dias para demonstrar que estava cumprindo todas as suas obrigações, e quer que a empresa reconstrua a ponte às próprias custas. / REUTERS

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