Cai 70% movimento de caminhões na fronteira com Argentina

O movimento de caminhões na fronteira do Brasil com a Argentina caiu cerca de 70% devido à crise argentina e os bloqueios nas estradas do país promovidas pelos caminhoneiros. Nesta quinta-feira, no primeiro dia do estado de sítio decretado pelo presidente Fernando de la Rúa, apenas 40 caminhões com carga brasileira haviam passado pela Ponte Internacional de Uruguaiana em direção a Buenos Aires, e 68 entraram no País.Em novembro, uma média de 231 veículos com exportações cruzou diariamente a fronteira, enquanto 131 ingressaram no Brasil com importações, segundo informações do terminal aduaneiro da Receita Federal.Desde o início de dezembro as médias de entrada e saída de veículos vinham caindo 30%, mas a situação se agravou no início desta semana, com os bloqueios na Rota 14, a chamada Estrada do Mercosul, que liga Uruguaiana a Buenos Aires.De acordo com o chefe do setor comercial da Embaixada brasileira na Argentina, Roberto Ardengui, existem quatro pontos de interrupção nessa rodovia. A pior situação ocorre em Jacari, na divisa das províncias de Corrientes e Entre Ríos, a 300 quilômetros da fronteira, onde 2 mil caminhões argentinos e brasileiros estão parados.Os sindicatos argentinos protestam contra a perda de fretes para empresas brasileiras, já que a disparidade cambial torna mais barato contratar os serviços de transporte no Brasil.?Fomos informados de que dois brasileiros sofreram agressões, mas ainda não tivemos confirmação oficial?, disse Ardengui. ?Muitas empresas brasileiras estão deixando de operar nessa rota.?A prefeitura de Uruguaiana recebeu, nesta quinta-feira, a queixa de uma mulher de caminhoneiro informando que o marido estava parado na estrada e sofrendo represálias.Ela tentou recorrer ao consulado argentino na cidade para obter ajuda, mas também não teve sucesso. Tanto o escritório em Uruguaiana, quanto o consulado-geral, em Porto Alegre, viveram nesta quinta-feira um dia de total apreensão, com os episódios que estão convulsionando a Argentina. ?Não temos nenhuma informação oficial?, disse a secretária do cônsul.Leia o especial

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