Cai governo austríaco apoiado pela utradireita

O chanceler conservador austríaco, Wolfang Schuessel, anunciou nesta segunda-feira o fim da coalizão com o ultradireitista Partido da Liberdade (FPOe), de Joerg Haider, a dissolução do Parlamento e convocação de eleições antecipadas. "Já não é possível continuar trabalhando", disse Schuessel, ao encerrar a primeira participação de um partido de extrema direita num governo de um país da União Européia (UE). "A Áustria precisa de um governo estável", acrescentou. Desafiando ferrenha oposição de seus colegas europeus, Schuessel, líder do Partido Conservador (OeVP), uniu-se em fevereiro de 2000 a Haider, temido por suas manifestações de simpatia ao 3.º Reich e críticas à UE, para formar um governo de maioria parlamentar. O Parlamento será oficialmente dissolvido no dia 19. As novas eleições gerais ocorrerão no fim de novembro ou no início de dezembro. O chanceler atribuiu o fracasso da coalizão a um racha no Partido da Liberdade, provocado por divergências entre Haider, governador da Província de Caríntia, e sua antiga lugar-tenente, Susanne Riess- Passer. Pelo acordo para formar a coalizão, Haider ficou apenas com o governo da Carintia e Susanne passou a ocupar os cargos de presidente do FPOe e de vice-chanceler. Outros três ministérios, incluindo o da Economia, foram entregues à extrema direita. Dessa forma, Haider passou a exercer forte influência no governo até que Susanne começou a discordar das posições dele. Criticou-o por visitar o líder iraquiano, Saddam Hussein, e manter contatos com o partido ultradireitista belga Vlaams Blok. Recusou-se ainda a cumprir uma das promessas de campanha de Haider: corte de impostos em 2003. Ela alegou que as graves enchentes que assolaram recentemente o país impediam a concretização da medida. Acusando Susanne de se desviar do programa da ultradireita, Haider, também classificado de xenófobo por sua suas propostas antiimigrantes, pediu a presidência do FPOe de volta. Ela rechaçou o pedido, criando um impasse incontornável. No domingo à noite, Susanne reconheceu ter perdido o braço-de-ferro para o governador da Caríntia e demitiu-se. Solidários a ela, outros três ministros do FPOe, Karl Heinz Grasser (Economia), Mathias Reichhold (Transportes) e Peter Westentheler (Relações Parlamentares), também decidiram deixar o governo. Acatando pedido do presidente austríaco, Thomas Klestil, permanecerá à frente do governo até a escolha do próximo. Ele disse que não vai reformular o gabinete (Haider teria propostos novos nomes), adiantando que Susanne e os três ministros demissionários permanecerão nos cargos. No caso de ele ser reeleito, adiantou: "Se houver necessidade, não hesitarei em fazer uma nova aliança com a extrema direita."

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