Cai lei nos EUA que mantém mulher viva com aparelhos

A americana Theresa Schiavo, que há 14 anos vive em coma profundo, com fortes danos cerebrais, pode ter desligados os aparelhos que a mantêm viva. Atendendo a uma apelação de Michael Schiavo, marido de Theresa, o Tribunal Superior da Flórida derrubou uma determinação de 2003, da Câmara dos Deputados da Flórida, que proibia desconectar os aparelhos. Michael trava uma batalha judicial com os pais de Theresa e com o governador do Estado, Jeb Bush (irmão do presidente dos EUA, George Bush), contrários à eutanásia. Bob e Mary, os pais da paciente, acreditam que ela ainda vai se recuperar e acusam Michael de oportunismo. "Quem não quer que ela viva é seu marido, que já arranjou uma namorada. Com a morte da minha filha, ele herdará US$ 1 milhão", alegou Bob. "Minha mulher nunca quis viver como um vegetal", retrucou Michael. Em outubro de 2003, por determinação da Justiça, os aparelhos foram desligados por alguns dias. Atendendo às pressões de Jeb Bush, porém, o Legislativo aprovou a chamada "Lei Terri", que permite que o executivo reverta uma decisão judicial. Jeb Bush imediatamente usou a lei para ordenar a reativação dos equipamentos. Michael não se deu por vencido e hoje, através da decisão do Tribunal Superior, obteve uma nova vitória "A lei ("Terri") é inconstitucional porque viola a separação dos poderes, por desrespeitar o direito à privacidade e por ser uma legislação retroativa", ditou o Tribunal.

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