Cai último reduto dos milicianos islâmicos na Somália

Forças do governo somali, apoiadas por tanques e caças etíopes, tomaram nesta segunda-feira dia 1º, o último reduto - a cidade de Kismayo - dos milicianos da União das Cortes Islâmicas, que fugiram diante da intensa ofensiva em direção à fronteira com o Quênia, a cerca de 160 quilômetros de distância.Em meio à aclamação da população, os soldados do governo entraram em Kismayo, sul da Somália, depois de retirarem as minas que haviam sido colocadas na estrada pelos milicianos durante sua fuga da cidade costeira. Na semana passada, quando fugiram da capital, Mogadiscio, os combatentes islâmicos asseguraram que a retirada era uma mudança de tática."Entramos e capturamos a cidade", disse o general Ahmed Musa, a bordo de um caminhão que seguia para Kismayo, onde cerca de 3 mil combatentes islâmicos tinham jurado resistir até o fim, mas se dispersaram em meio ao fogo de artilharia.O primeiro-ministro interino somali, Ali Mohamed Gedi, ofereceu anistiar os combatentes das Cortes Islâmicas se eles se entregarem. Mas disse que os líderes do grupo e os combatentes estrangeiros enfrentarão a justiça. Também ordenou o desarmamento do país, uma tarefa imensa na Somália, que se encheu de armas durante a guerra civil de 15 anos."A era dos senhores da guerra acabou", disse Gedi em uma entrevista coletiva em Mogadiscio, retomada pelas forças do governo na quinta-feira. Ele deu um prazo de três dias para que os combatentes islâmicos e mesmo os membros dos tradicionais clãs entreguem suas armas.Gedi também fez um apelo por ajuda humanitária para seu país e o envio de uma força de pacificação da União Africana. Uganda disse que tem um batalhão com mil soldados pronto para ser enviado. A Nigéria também prometeu enviar tropas. Um grupo de sete países da região propôs a criação de uma força de paz para a Somália dois anos atrás, mas os intensos combates no país impediram seu envio.Acredita-se que entre os combatentes islâmicos estejam três membros da Al-Qaeda procurados por seu envolvimento nos atentados a bomba contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em 1998, que deixaram 224 mortos. O governo somali - que pediu ajuda dos EUA na vigilância aérea e marítima - esperava capturá-los antes que fugissem do país."A guerra só terminará depois que capturarmos os terroristas internacionais", disse o primeiro-ministro somali. "Podemos até mesmo capturá-los com vida. Será uma grande vitória para o mundo inteiro."As autoridade do Quênia - país que já abriga cerca de 160 mil refugiados somalis - disseram ter reforçado a segurança ao longo dos 700 quilômetros de fronteira terrestre com a Somália. Bloqueados ao norte e ao oeste pelas forças etíopes e somalis, os combatentes islâmicos tinham somente duas saídas: o vizinho Quênia ou o Oceano Índico, patrulhado por navios dos EUA.

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