Caixa-preta de avião não revela nada de anormal

As caixas-pretas do Air Bus da American Airlines que caiu em Nova York na segunda-feira, causando mais de 260 mortes, não revelam indícios de sabotagem ou ameaças terroristas, informaram autoridades. A caixa de registro de dados técnicos que poderia fornecer pistas sobre os segundos finais do avião foi encontrada nesta terça-feira. O gravador de dados era uma das duas "caixas-pretas" a bordo da aeronave que fazia o vôo 587. O outro gravador, que registrava as vozes na cabine de comando, foi encontrado pouco depois do acidente. O gravador de dados informa a velocidade e as ações dos motores e dos instrumentos. Autoridades disseram que o gravador de voz não indicou problema a bordo do avião que caiu menos de três minutos depois de deixar o Aeroporto John F. Kennedy. "As conversas na cabine de comando transcorriam normalmente até os poucos segundos que antecederam a queda", disse o chefe do Comitê de Segurança em Transporte dos Estados Unidos (NTSB, em inglês), Marion Blakey. Ela não entrou em detalhes sobre os últimos momentos do vôo. Mas as autoridades norte-americanas não descartaram a hipótese de sabotagem nem outras causas potenciais. "Não excluíremos aquela possibilidade até que as investigações sejam aprofundadas", disse George Black, membro do NTSB, durante entrevista concedida hoje à televisão. Uma fonte próxima das investigações contou que o comitê investigava a possibilidade de os motores terem falhado depois de "engolirem" pássaros. O aeroporto John F. Kennedy já teve problemas com pássaros na pista. Todas as 260 pessoas a bordo do Airbus A-300 morreram, informou a companhia. Outras cinco pessoas foram dadas como desaparecidas em solo, informou o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani. Parentes das vítimas reuniram-se na esperança de encontrar os restos mortais. "Ainda não sei se a encontraram", disse Guillermina Roy, de 18 anos, cuja mãe estava entre as pessoas desaparecidas no acidente. "Espero que eu consiga encontrar alguma informação." Enxugando as lágrimas, Roy era apenas uma das dezenas de pessoas amontoadas em frente a um centro de assistência familiar de Manhattan. O prefeito informou nesta terça-feira que 262 cadáveres foram recuperados, assim como 180 partes de corpos. De acordo com a polícia, entre os corpos encontrados estava o de um homem que segurava uma criança.

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