Claudio Cruz/AFP
Claudio Cruz/AFP

'Caixão Cov' desbanca o tradicional em meio à pandemia no México

Urna é produzida com lâminas de aço e, de acordo com o fabricante, impede que fluidos possam escapar e contaminar quem esteja por perto

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2020 | 02h11

LOS REYES DE LA PAZ, México - Ao contrário do que se poderia pensar, a pandemia do novo coronavírus tem provocado perdas aos fabricantes de caixões no México, onde a cremação se impôs ao sepultamento. No entanto, uma empresa tenta superar a crise com um modelo que promete reduzir os riscos de contágio.

De cor marrom escuro, ferragens brilhantes e formas ovaladas, o "Caixão Cov" é montado com lâminas de aço em um porão de Los Reyes de La Paz, município do estado do México.

"A venda diminuiu porque ninguém usava o caixão. Praticamente todos os serviços, fossem ou não de covid, iam diretamente ao crematório", contou à AFP Eduardo López, responsável pela comercialização da Platinum Casket Company.

A empresa fabrica cerca de 70 caixões por dia, menos da metade dos convencionais que produzia antes da crise sanitária. Em março, viu suas vendas caírem 90%. Com meio século no mercado, a companhia exporta para Porto Rico, Belize, Guatemala, Honduras e El Salvador.

A maioria dos corpos, contou López, eram transferidos do hospital ao crematório, sem a necessidade de um caixão, até que as autoridades de saúde esclareceram que os enterros não eram proibidos. "Com isso, a situação meio que se ajeitou e já começamos a nos recuperar um pouquinho", diz o vendedor.

López descreveu a urna como "uma cápsula metálica", com interior recoberto por polietileno, espuma e neoprene. Foi concebido assim para que "em caso de fissura, não escorra nada de líquidos", explicou. Desta forma, buscou-se gerar "confiança" nos compradores, nas funerárias e nos familiares.

Fontes do setor funerário asseguram que muitos preferem a cremação devido aos custos mais baixos, uma questão que não é desprezível em meio à pandemia que já deixou 9.044 mortos e 81,4 mil infectados no país de 120 milhões de habitantes. / AFP

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