AP Photo/Mulugeta Ayene
AP Photo/Mulugeta Ayene

Caixas-pretas de avião da Ethiopian que caiu no domingo são encontradas

Investigações sobre acidente com o Boeing 737 MAS 8 continuam com auxílio de especialistas americanos; 157 pessoas morreram na tragédia

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2019 | 11h05

ADIS ABEBA - A companhia Ethiopian Arlines anunciou nesta segunda-feira, 11, que as duas caixas-pretas de seu Boeing 737 MAX 8 que caiu no domingo 10 ao sudeste de Adis Abeba deixando 157 mortos, foram recuperadas. A caixa-preta com os dados técnicos do voo e a caixa que grava as conversas dentro da cabine devem indicar as causas do acidente.

 

Em 29 de outubro de 2018, um Boeing 737-800 MAX da companhia indonésia Lion Air, caiu no mar de Java, o que provocou 189 mortes. Uma das caixas-pretas revelou problemas no indicador de velocidade, um duro golpe para o avião, uma versão modernizada do 737.

A investigação para determinar o que provocou a queda do Boeing 737 continua nesta segunda, dia de luto nacional na Etiópia. O Quênia, local de destino do voo, tinha 32 cidadãos a bordo, o que faz do país o mais afetado pelo acidente. Além disso, Nairóbi, a capital da nação, é a sede regional da ONU, organização que perdeu vários funcionários na catástrofe.

O Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUE), que tem sede na capital queniana, inaugura nesta segunda-feira sua conferência anual, que reúne centenas de delegados de todo o mundo. O diretor geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Antonio Vitorino, informou que 19 funcionários da ONU morreram no acidente, incluindo pelo menos um membro do PNUE, outro do Programa Mundial de Alimentos (PAM) e vários do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Os investigadores da Agência Etíope de Aviação Civil trabalham desde domingo no local da tragédia para recuperar o máximo de escombros e provas. O CEO da Ethiopian Airlines, Tewolde GebreMariam, confirmou que a investigação acontecerá de forma conjunta entre funcionários etíopes e americanos. A agência responsável pela segurança nos transportes nos Estados Unidos, a NTSB, anunciou o envio de uma equipe.

A companhia aérea também anunciou que interrompeu o uso de todos os seus aviões modelo Boeing 737-8 MAX até nova ordem.

O governo da China pediu às companhias aéreas do país que suspendam os voos com o Boeing 737 MAX 8, que poderão ser retomados quando as autoridades americanas e a Boeing confirmarem "as medidas adotadas para garantir efetivamente a segurança dos voos", anunciou a Administração de Aviação Civil do país.

Acidente. 

O voo ET 302 decolou no domingo às 8H38 locais (2H38 de Brasília) em Adis Abeba e desapareceu dos radares seis minutos depois. O avião era pilotado por Yared Getachew, que tinha 8 mil horas de voo. A aeronave passou por uma manutenção em 4 de fevereiro.

Na queda, o avião provocou uma grande cratera. O Boeing se desintegrou com o impacto e não era possível distinguir a forma da aeronave, apenas pedaços espalhados.

Tegegn Dechasa, testemunha do acidente, disse que "o avião estava em chamas quando caiu". "O avião parecia tentar aterrissar em um campo aberto próximo, mas caiu antes de chegar ao local", afirmou outra testemunha, Sisay Gemechu.

As vítimas do acidente eram de 35 nacionalidades diferentes, de acordo com dados provisórios da companhia: 32 quenianos, 18 canadenses, nove etíopes, oito italianos, oito chineses, oito americanos, sete franceses, sete britânicos, seis egípcios, cinco alemães e quatro indianos. Um passageiro viajava com passaporte da ONU. Dois espanhóis também estavam a bordo.

Também começaram a ser divulgadas as identidades de alguns passageiros: um deputado eslovaco, Anton Hrnko, perdeu a mulher e dois filhos; entre os chineses estavam turistas, funcionários de empresas e um membro do PNUE. Também havia um arquiteto italiano. / AFP

 

Tudo o que sabemos sobre:
BoeingEtiópia [África]China [Ásia]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.