Calderón toma posse em tumultuada sessão no Congresso

O conservador Felipe Calderón assumiu a presidência do México nesta sexta-feira, numa sessão do Congresso marcada por trocas de socos e guerra de cadeiras entre deputados da oposição e da situação. Calderón, do conservador Partido Ação Nacional (PAN), entrou na sede do Congresso por uma porta dos fundos, a única que era controlada por seus partidários, e apareceu repentinamente na tribuna, onde parlamentares brigavam havia três dias, inclusive fisicamente, para controlá-la. Protegido por dezenas de parlamentares e ladeado pelo presidente Vicente Fox, Calderón jurou respeitar a constituição, em palavras praticamente inaudíveis devido ao barulho."Juro respeitar e fazer respeitar a Constituição dos Estados Unidos Mexicanos e as leis que dela emanam e desempenhar, leal e patrioticamente, o cargo de presidente da República que o povo conferiu, defender o bem e a prosperidade do país e, se assim não o fizer, que a nação me processe", disse Calderón ao assumir o cargo.O presidente da Câmara dos Deputados, Jorge Zermeño, do partido de Calderón, ordenou a execução do hino nacional, abafando momentaneamente vaias e assovios dos opositores, e então o novo presidente saiu rapidamente de cena e a sessão foi suspensa. Dignatários estrangeiros - entre eles o ex-presidente americano George H. W. Bush, e o presidente colombiano, Álvaro Uribe - estavam nas galerias observando a cena.A cerimônia, que durou apenas quatro minutos, corria o risco de não ser realizada devido a ameaças de violência tanto dentro do Congresso quanto nas ruas.A resistência partia de integrantes do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), que teve seu candidato, Andrés Manuel López Obrador, derrotado nas eleições de julho por Calderón por apenas meio ponto percentual. Obrador não admitiu a derrota, que ele acusa ter sido fruto de fraude.A poucos quarteirões dali, partidários do ex-candidato esquerdista, Andrés Manuel López Obrador, se manifestavam na praça principal da capital mexicana. Obrador, que perdeu as eleições gerais de 2 de julho para Calderón em meio a uma acirrada disputa eleitoral vencida pelo conservador por 0,5 pontos percentuais, ignora o novo líder e se autoproclamou "presidente legítimo".

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